O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confundiu os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar a situação judicial da família durante uma coletiva de imprensa na cúpula do G7, realizada na França.
Ao abordar o caso de Eduardo Bolsonaro, Trump afirmou que “Bolsonaro Jr.” teria sido preso por motivos políticos, embora o ex-deputado tenha sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não esteja preso ainda.
A referência também misturou informações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro, que deve concorrer às eleições presidenciais pelo PL.
A declaração ocorreu em meio ao avanço de processos judiciais envolvendo Eduardo Bolsonaro, que foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação em processo da trama golpista.
Durante a fala, Trump criticou decisões da Justiça brasileira e sugeriu que medidas estariam sendo adotadas contra integrantes da família Bolsonaro.
“Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles agem com bastante dureza.
Mas ninguém age com mais dureza do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente fraudadas”, declarou o presidente norte-americano.
Apesar da menção a “Bolsonaro Jr.”, Trump aparentemente se referia a Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos.
No entanto, o ex-deputado não foi preso, apesar de ter sido condenado pelo STF nesta terça (16).
Além disso, a referência a desempenho em pesquisas eleitorais remete a Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro.
Confira:
🇧🇷🇺🇸 Trump criticou a condenação de Eduardo Bolsonaro no STF, acusado de crime de coação da justiça ao negociar sanções dos EUA contra o Brasil. Porém, Trump confundiu Eduardo com Flávio Bolsonaro, achando que ele já havia sido preso, enquanto ainda foi apenas condenado. pic.twitter.com/rOslfW8EeO
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) June 17, 2026
Condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF
Na terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro por unanimidade pelo crime de coação no curso do processo.
O entendimento dos ministros foi de que o ex-deputado atuou para interferir em um julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, votou pela pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A decisão também prevê o pagamento de 50 dias-multa, calculados em dois salários mínimos cada, totalizando R$ 162,1 mil.
Além da pena, Moraes defendeu a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade de Eduardo Bolsonaro por oito anos.
Fala ocorre em meio a repercussões políticas
A manifestação de Trump ocorreu enquanto o caso de Eduardo Bolsonaro ganhava repercussão internacional.
O ex-deputado tem sido alvo de investigações e decisões judiciais relacionadas à sua atuação política e às articulações feitas junto a autoridades norte-americanas.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro enfrenta um cenário político distinto. Em maio deste ano, vieram a público áudios nos quais o senador aparece negociando R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master que está preso por ter liderado uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil.
O episódio gerou repercussão no meio político e ampliou a pressão sobre o parlamentar.
Questionada sobre as declarações do presidente norte-americano, a Casa Branca informou que não tinha “nada a adicionar aos comentários do presidente”.


