Um homem é investigado após agredir a própria filha, de três anos, em via pública, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. Em depoimento à Polícia Civil, ele afirmou que deu um chute na criança porque ela estava chorando.
O caso ocorreu no último domingo (5) e ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança circularem nas redes sociais.
O vídeo mostra o homem caminhando com a filha e outro filho, de cinco anos, quando, em determinado momento, ele interrompe o trajeto e chuta a menina, que cai no chão.
De acordo com o delegado Anderson Andrei, o homem se apresentou espontaneamente à delegacia na quarta-feira (8), sem advogado, e foi ouvido pelas autoridades.
Durante o depoimento, ele chorou e afirmou estar arrependido do que fez. Apesar disso, não foi preso, já que o caso não se enquadra em situação de flagrante.
Segundo a Polícia Civil, em casos de lesão corporal, a prisão em flagrante só ocorre quando o crime está sendo cometido ou acabou de acontecer. Como a denúncia chegou às autoridades dois dias depois, essa possibilidade foi descartada.
O homem agora responde por crime de lesão corporal, e um inquérito foi instaurado para apurar o caso.
Nas imagens, um terceiro homem aparece logo após a agressão e tenta intervir, abrindo os braços em direção ao agressor. No entanto, ele é confrontado e não consegue impedir a continuidade da situação.
A criança se levanta pouco depois e o grupo segue caminhando.
A mãe da menina registrou boletim de ocorrência na terça-feira (7), após tomar conhecimento do caso ao ver o vídeo nas redes sociais.
A Polícia Civil solicitou medidas protetivas de urgência em favor da menina, do irmão dela e da mãe. O Conselho Tutelar foi acionado e acompanha o caso.
Segundo o delegado, a prioridade inicial foi garantir a segurança da criança: “A maior preocupação da Polícia Civil foi com o bem-estar da criança e garantir a segurança dela”, afirmou.
O episódio ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre práticas de violência na educação de crianças. Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, aponta que:
- 29% dos entrevistados admitem usar práticas violentas com crianças de até 3 anos
- 58% utilizam castigos como forma de disciplina
- 43% relatam gritar ou brigar com frequência
Especialistas alertam que esse tipo de comportamento pode causar impactos físicos e emocionais duradouros, além de configurar violação de direitos da criança.
O caso segue sob investigação, enquanto autoridades acompanham a situação da família e as medidas de proteção adotadas.


