O custo ambiental da inteligência artificial: o impacto do ChatGPT

Estudos revelam que o ChatGPT, modelo generativo da OpenAI, consome grandes quantidades de energia e água em seu funcionamento, levantando debates sobre sustentabilidade digital

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no cotidiano, seja em aplicativos, sistemas de recomendação ou assistentes virtuais. Entre as ferramentas mais populares está o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, capaz de responder perguntas, criar textos, programar códigos e até compor músicas.

Mas, por trás dessa praticidade, existe um custo ambiental significativo.

Cada interação com o ChatGPT exige que uma rede massiva de servidores seja ativada. Esse processamento consome energia elétrica em larga escala, gera calor e, em muitos casos, requer o uso de água para resfriamento dos equipamentos.

Diferente de uma simples pesquisa no Google, que recupera resultados já existentes na internet, o ChatGPT funciona a partir de modelos generativos, que criam respostas inéditas com base em padrões aprendidos de vastos volumes de dados.

Esse tipo de operação é muito mais intensivo em recursos computacionais.

Segundo o professor Frank Ned Santa Cruz de Oliveira, da Universidade de Brasília (UnB), interações mais complexas com o ChatGPT podem consumir entre 0,1 e 1 watt-hora por pergunta.

Para comparação, carregar um celular de 0% a 100% gasta, em média, 3 watt-hora. Ou seja, uma única pergunta ao modelo pode consumir até um terço da energia usada para carregar um smartphone inteiro.

Um levantamento da plataforma BestBrokers, publicado em 2024, estimou que o ChatGPT consome cerca de 453,6 milhões de quilowatts-hora (kWh) por ano para atender seus 200 milhões de usuários ativos semanais. Esse número equivale ao consumo anual de energia de uma cidade de médio porte.

Além da eletricidade, há o impacto do uso de água. Centros de dados que operam modelos como o ChatGPT precisam de sistemas de resfriamento constantes. Muitas vezes, a solução envolve grandes volumes de água, levantando preocupações em regiões que já enfrentam escassez hídrica.

Esses dados abrem um debate urgente sobre a sustentabilidade digital. Especialistas defendem a busca por fontes de energia renovável, otimização de algoritmos e infraestruturas mais eficientes para reduzir o impacto ambiental.

Afinal, à medida que a IA se torna indispensável em nossas vidas, cresce a responsabilidade de garantir que sua expansão não agrave ainda mais a crise climática.

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