O empresário Paulo Cupertino Matias foi condenado nesta quinta-feira (6) a 98 anos de prisão pelo assassinato do ator Rafael Miguel, conhecido pela novela Chiquititas, e dos pais dele, João Alcisio Miguel e Miriam Selma Miguel.
O crime ocorreu em junho de 2019, na zona sul de São Paulo, e foi motivado pela não aceitação de Cupertino ao relacionamento da filha, Isabela Tibcherani, com o jovem ator.
Após o triplo homicídio, Cupertino fugiu e permaneceu foragido por quase três anos, sendo capturado apenas em 2022 em uma ação conjunta das polícias Civil e Militar.
Durante o julgamento, ele negou autoria e tentou atribuir os assassinatos a um suposto “vagabundo”. O júri, no entanto, considerou as provas apresentadas e decidiu pela condenação.
Apesar da sentença de 98 anos, a legislação brasileira estabelece que o tempo máximo de prisão em regime fechado é de 40 anos. Segundo o promotor Thiago Marin, para ter direito à progressão de regime, Cupertino deverá cumprir ao menos 40% da pena, o que equivale a aproximadamente 39 anos de prisão.
A decisão foi considerada exemplar pela acusação. “O tribunal reconheceu a gravidade do crime e a frieza do réu. É uma resposta da Justiça ao clamor social por esse caso”, disse Marin.
Declaração da filha de Paulo Cupertino
A filha de Cupertino, Isabela Tibcherani, que na época tinha 18 anos e namorava Rafael Miguel, afirmou que a condenação representa uma forma de justiça. “É um alívio, um fechamento necessário para que eu possa seguir em frente”, declarou em entrevista à imprensa após a sentença.
O assassinato de Rafael Miguel, então com 22 anos, e de seus pais gerou comoção nacional em 2019. O ator ficou famoso ao interpretar Paçoca em Chiquititas, no SBT, e também por protagonizar comerciais de TV ainda na infância.
O caso se tornou símbolo de crimes motivados por intolerância familiar e violência doméstica, chamando atenção para os riscos de relacionamentos marcados por controle e autoritarismo.



