O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu na última quarta-feira (13), no Kremlin, com a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, atual chefe do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelos países do Brics.
O encontro acontece em um momento de reorganização interna do bloco e de pressão geopolítica internacional, com o Brics ampliando sua atuação enquanto tenta manter coesão entre países com interesses distintos.
Além de Dilma e Putin, participaram da reunião autoridades econômicas russas e dirigentes do próprio banco.
Criado em 2015, o NDB foi concebido como uma alternativa às instituições financeiras tradicionais dominadas por países ocidentais.
O banco reúne os países fundadores do bloco (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e passou a incorporar novos membros nos últimos anos, ampliando seu alcance financeiro e político.
Hoje, a instituição é vista como um dos principais instrumentos do Brics para:
- financiar projetos de infraestrutura
- estimular o uso de moedas locais
- reduzir dependência de organismos como FMI e Banco Mundial
O encontro em Moscou antecede uma nova rodada de reuniões de chanceleres do Brics, marcada para Nova Délhi.
A expectativa é de um encontro mais tenso do que o habitual, diante de conflitos envolvendo países do próprio bloco e aliados estratégicos, especialmente no Oriente Médio.
Diferenças entre membros (como Irã e Emirados Árabes Unidos) devem dificultar a construção de uma posição comum.
Decisão sobre liderança do banco tem peso estratégico
Nos bastidores, a permanência de Dilma Rousseff na presidência do NDB até 2030 se insere em uma lógica mais ampla de estratégia financeira do bloco.
Pelas regras originais, a presidência do banco é rotativa entre os países fundadores. O próximo mandato, iniciado em 2025, caberia à Rússia indicar um novo dirigente.
No entanto, Moscou optou por manter Dilma no cargo, decisão interpretada por analistas como um movimento para preservar a operação internacional da instituição. O convite de Putin e aceite de Dilma aconteceu no final de 2024.
A Rússia enfrenta sanções econômicas impostas por Estados Unidos e aliados ocidentais, o que impacta diretamente sua inserção no sistema financeiro global.
Nesse cenário, a indicação de um presidente russo para o banco poderia:
- dificultar captação de recursos internacionais
- limitar operações com parceiros externos
- aumentar o risco de restrições adicionais
A manutenção de uma liderança já estabelecida e com trânsito internacional é vista como forma de reduzir esse risco institucional.
Desde sua criação, o Brics vem ampliando sua composição, incorporando países como Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos.
A expansão reforça o peso do grupo, mas também amplia divergências internas, especialmente em temas geopolíticos sensíveis.
A reunião entre Putin e Dilma ocorre, portanto, em um momento em que o bloco tenta equilibrar expansão, coordenação política e estabilidade financeira, ao mesmo tempo em que busca consolidar sua posição no cenário global.


