A Noruega entrou para a história ao se tornar o primeiro país do mundo a proibir o desmatamento, adotando uma política ambiental que abrange tanto o território nacional quanto suas relações comerciais internacionais.
A decisão foi anunciada em 2016 e consolidada nos anos seguintes, reforçando o compromisso do país com a proteção ambiental e a preservação da biodiversidade.
Além de impedir o corte de árvores em seu próprio território, a medida estabelece que empresas norueguesas não podem manter contratos governamentais se estiverem envolvidas em práticas de desmatamento, mesmo que ocorram fora do país.
Compromisso ambiental e comércio responsável
A iniciativa norueguesa surgiu após o país assumir, dois anos antes, o compromisso de priorizar a compra de suprimentos livres de desmatamento.
Durante encontros da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, países como Alemanha e Reino Unido também manifestaram interesse em fortalecer cadeias produtivas com origem ambientalmente responsável.
O posicionamento da Noruega amplia o conceito de preservação ao ir além da proteção de florestas nacionais, buscando evitar o financiamento indireto do desmatamento em outros países por meio do comércio internacional.
Setores mais ligados ao desmatamento global
Em escala mundial, a maior parte da devastação florestal está associada à expansão agrícola, especialmente para a produção de soja, óleo de palma, carne bovina e para o abastecimento da indústria madeireira. Em muitos casos, essas atividades ocorrem sem fiscalização adequada ou de forma ilegal.
Segundo dados da organização Climate Action, a produção de soja, carne bovina, óleo de palma e produtos de madeira em sete países com altas taxas de desmatamento — Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Indonésia, Malásia e Papua Nova Guiné — foi responsável por 40% do desmatamento tropical e 44% das emissões de carbono associadas entre 2000 e 2011.
Investimentos internacionais e parceria com o Brasil
Antes mesmo de formalizar o banimento do desmatamento, a Noruega já atuava de forma ativa na preservação ambiental fora de suas fronteiras.
Em 2008, o país firmou uma parceria com o Brasil, destinando US$ 1 bilhão para apoiar ações de combate ao desmatamento da Floresta Amazônica.
Iniciativas semelhantes também foram direcionadas à Libéria e à Indonésia, como parte de um esforço internacional para reduzir a perda de florestas tropicais.

Política pública e exigências governamentais
Em setembro de 2018, o governo norueguês ampliou a política ambiental ao banir oficialmente a compra de produtos importados associados ao desmatamento.
A medida integra a Recomendação do Comitê Permanente de Energia e Meio Ambiente do parlamento norueguês, vinculada ao plano nacional de ação para a biodiversidade, que já está em vigor.
A decisão também incentiva a busca por alternativas sustentáveis na produção de soja, madeira, óleo e carne, setores diretamente ligados ao avanço do desmatamento em diversas regiões do mundo.
Impactos ambientais do desmatamento
Especialistas alertam que, no ritmo atual, as florestas tropicais podem desaparecer completamente em até 100 anos. Cerca de 80% das espécies terrestres de animais e plantas dependem desses ecossistemas para sobreviver.
Além disso, as árvores exercem um papel essencial na absorção de gases de efeito estufa, contribuindo para a regulação do clima e a qualidade do ar.
A prática agrícola conhecida como corte e queima, frequentemente utilizada para abrir áreas para a pecuária, libera grandes quantidades de dióxido de carbono, intensificando as mudanças climáticas.
Repercussão internacional
Organizações ambientais destacaram a relevância da iniciativa norueguesa. Em comunicado publicado no site da Rainforest Foundation Norway, Nils Hermann Ranum afirmou:
“É altamente positivo que o estado norueguês esteja agora seguindo o mesmo caminho e fazendo as mesmas exigências quando se trata de compras públicas. Outros países devem seguir a liderança da Noruega e adotar compromissos similares de desmatamento zero”.
Em outra manifestação, Ranum reforçou:
“Esta é uma importante vitória na luta pela proteção da floresta tropical. Nos últimos anos, várias empresas se comprometeram a interromper a aquisição de bens que podem estar ligados à destruição da floresta tropical”.
A política adotada pela Noruega segue sendo observada por governos, empresas e organizações ambientais como um exemplo de integração entre sustentabilidade, economia e políticas públicas em escala global.



