Uma tecnologia instalada em edifícios na China tem chamado atenção nas redes sociais ao mostrar uma espécie de “névoa artificial” sendo liberada do topo de prédios.
Apesar da aparência incomum, o sistema não tem relação com fumaça ou vazamentos: trata-se de um mecanismo projetado para reduzir a temperatura em áreas urbanas durante ondas de calor extremo.
Os vídeos viralizaram em meio a um cenário global de temperaturas elevadas, especialmente após registros de calor acima de 40°C na Europa nas últimas semanas. Nesse contexto, soluções alternativas de resfriamento têm ganhado visibilidade.
A tecnologia utiliza o chamado resfriamento evaporativo, um processo físico que permite reduzir a temperatura do ambiente sem necessidade de ar-condicionado convencional.
O funcionamento envolve:
- Bombas de alta pressão, que impulsionam água até o topo dos edifícios
- Bicos pulverizadores, que transformam o líquido em micropartículas
- Evaporação instantânea, que absorve o calor do ar ao redor
Ao entrar em contato com o ar quente, essas gotículas evaporam rapidamente, retirando calor do ambiente e ajudando a diminuir a sensação térmica.
Segundo empresas responsáveis pela tecnologia, o sistema pode reduzir a temperatura entre 3°C e 6°C, dependendo das condições climáticas, como umidade e intensidade do calor.
O resultado é uma espécie de cortina branca ao redor das construções, que lembra uma névoa leve envolvendo o prédio.
Apesar do volume visual, as partículas são extremamente pequenas e, na maioria dos casos, evaporam antes de atingir o solo, evitando que pessoas e superfícies fiquem molhadas.
Além da redução de temperatura, o sistema também pode contribuir para:
- Diminuição de poeira no ar
- Melhoria do conforto térmico em áreas externas
- Ambientes mais suportáveis em regiões densamente urbanizadas
Uso já existia, mas ganhou nova escala
A tecnologia de nebulização não é nova e já vinha sendo utilizada em espaços como:
- parques e áreas de lazer
- centros comerciais
- restaurantes ao ar livre
- áreas industriais
Nos últimos anos, no entanto, passou a ser aplicada também em condomínios residenciais e grandes complexos urbanos, acompanhando a intensificação das ondas de calor.
Nas redes sociais, o sistema chegou a ser apelidado de “ar-condicionado externo”, embora especialistas ressaltem que o mecanismo funciona de forma diferente dos sistemas tradicionais de climatização.
A repercussão do sistema ocorre em um momento em que o calor extremo se consolida como um dos principais desafios climáticos globais.
Com o aumento da frequência de ondas de calor, cidades buscam alternativas para reduzir impactos na saúde pública e no cotidiano da população, especialmente em áreas com alta concentração de concreto e pouca ventilação natural.
A tecnologia chinesa surge, nesse cenário, como mais uma tentativa de adaptação urbana a um clima cada vez mais hostil.
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