França vai construir prisão de segurança máxima na Amazônia para combater tráfico e terrorismo

Novo presídio será erguido na Guiana Francesa, próximo à antiga Ilha do Diabo, com capacidade para 500 detentos e foco em traficantes e extremistas

A França anunciou a construção de uma prisão de segurança máxima na Floresta Amazônica, no território ultramarino da Guiana Francesa, região que faz fronteira com o Brasil e o Suriname.

O projeto foi revelado pelo ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, durante visita oficial a Saint-Laurent-du-Maroni, cidade localizada na divisa com o Suriname e que abrigará a nova unidade.

A decisão do governo francês é uma resposta à superlotação carcerária e ao avanço do crime organizado na região, que vem sendo usada como rota estratégica para o tráfico internacional de drogas.

Além disso, a instalação deve reforçar a vigilância sobre indivíduos ligados ao radicalismo islâmico, considerados de alta periculosidade.

Segundo Darmanin, a prisão terá capacidade para 500 detentos, sendo 60 vagas reservadas exclusivamente a presos de alta periculosidade, como narcotraficantes internacionais e acusados de terrorismo.

O ministro afirmou que a medida faz parte de uma política de segurança nacional que pretende “proteger a Guiana Francesa e, consequentemente, a França e a União Europeia”.

O local escolhido para a construção carrega forte simbolismo histórico: fica próximo à região onde funcionou a colônia penal da Ilha do Diabo, notória prisão francesa do século XIX, que inspirou obras como o filme Papillon.

O anúncio reacendeu debates sobre a memória da repressão colonial e o uso da Amazônia como cenário de enclausuramento.

A nova penitenciária será equipada com sistemas de vigilância de última geração e protocolos rígidos de isolamento.

Para autoridades francesas, o investimento é essencial para conter o fluxo crescente de cocaína que atravessa a Guiana Francesa rumo à Europa. Apenas em 2024, a alfândega local interceptou mais de 2 toneladas da droga em voos comerciais.

Críticos, no entanto, levantam preocupações sobre o impacto ambiental da obra em plena floresta amazônica e sobre a efetividade da medida diante das complexas redes do narcotráfico.

Organizações locais também alertam para o risco de estigmatização da população guianense, que convive há décadas com a presença militarizada do Estado francês.

A expectativa é que a construção comece ainda em 2025 e seja concluída até 2028, tornando-se a primeira prisão de segurança máxima da Amazônia sob jurisdição francesa.

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