Vendaval de 98 km/h deixa 2,2 milhões sem luz em SP e causa caos na capital

Tempestade com ventos de até 98,1 km/h atingiu São Paulo, deixou 2,2 milhões sem energia e provocou quedas de árvores, falhas nas operadoras e transtornos em aeroportos

Uma forte ventania com rajadas de até 98,1 km/h atingiu o estado de São Paulo nesta quarta-feira (10), deixando 2,2 milhões de imóveis sem energia em toda a área de concessão da Enel, provocando quedas de árvores, ferimentos, instabilidade nas telecomunicações e transtornos generalizados na capital e na Região Metropolitana.

Segundo a Defesa Civil Estadual, quatro pessoas ficaram feridas, todas com lesões leves após serem atingidas por quedas de árvores ou galhos. No interior, uma morte em Campos do Jordão está sob investigação para determinar se o desabamento de um imóvel teve relação com o vendaval.

A cidade de São Paulo foi a mais atingida, somando mais de 1,5 milhão de clientes sem energia. Em seguida aparece Cotia, com cerca de 95 mil consumidores afetados. Ao todo, o painel atualizado da Enel às 19h31 registrava 2.223.922 unidades ainda sem fornecimento, cerca de 30% da base atendida.

O Corpo de Bombeiros contabilizou 1.548 chamados para queda de árvores, 24 ocorrências de desabamento e desmoronamento, além de cinco registros de enchentes ao longo do dia.

A Enel afirmou que a ventania foi causada pela chegada de um ciclone extratropical, que lançou objetos e galhos contra a rede elétrica. A concessionária mobilizou cerca de 1.300 equipes para restabelecer o serviço. A Defesa Civil alertou que os ventos intensos persistiriam até o início da noite, com pico às 14h.

Além do apagão, houve efeitos em cadeia. As operadoras Claro, Vivo e TIM registraram instabilidade generalizada nas redes móvel e fixa, com picos de reclamação no Downdetector entre 16h e 17h. A Conexis, sindicato do setor, afirmou que atua para restabelecer serviços “à medida que a energia retorna”.

Na cidade de São Paulo, vários semáforos apagados prejudicaram o trânsito. A CET não respondeu às solicitações de informação. Em redes sociais, moradores relataram caos viário e dificuldade de locomoção.

O fornecimento de água também foi impactado. A Sabesp confirmou desabastecimento em bairros como Morumbi, Vila Mariana, Sacomã, Tucuruvi, Vila Formosa e Americanópolis, além de cidades da região metropolitana. Segundo a companhia, a falta de energia impediu o funcionamento de bombas de pressurização.

Nos aeroportos, os efeitos foram expressivos. O Aeroporto de Congonhas cancelou 80 chegadas e 87 partidas. Em Guarulhos, 31 voos foram desviados, mas as chegadas começaram a ser normalizadas no fim da tarde. A administradora GRU Airport ressaltou que as operações seguem sob protocolos de segurança reforçados.

A crise levou a Aneel a notificar a Enel. A agência quer explicações sobre a preparação da concessionária diante da previsão de ciclone, solicitando plano de contingência, laudo meteorológico e horários exatos em que a empresa tomou ciência do evento climático.

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