Acordo de paz entre EUA e Irã foi anunciado neste domingo (14) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
Segundo os governos envolvidos e a agência estatal iraniana IRNA, o entendimento prevê o encerramento das operações militares após quase quatro meses de conflito, com assinatura formal prevista para 19 de junho, na Suíça.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, informou que o cessar-fogo começaria a valer ainda na noite de domingo (14).
Sharif divulgou a informação por meio de uma publicação na rede social X. De acordo com o premiê paquistanês, “ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
Pouco depois, Trump também confirmou o entendimento em postagem na Truth Social. “O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!”, declarou o presidente norte-americano.
O anúncio ocorre após semanas de negociações e sucessivas trocas de ataques entre os dois países, que elevaram a tensão no Oriente Médio e afetaram uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Confira:
O que prevê o acordo de paz entre EUA e Irã?
Além de confirmar o entendimento, Trump anunciou medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o comércio internacional de petróleo.
“Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.
Segundo Kazem Gharibabadi, as negociações para um acordo definitivo deverão prosseguir pelos próximos 60 dias.
Entre os temas previstos estão o possível alívio de sanções contra o Irã, mecanismos de reconstrução e formas de monitoramento do cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes.
O representante iraniano também declarou que Teerã responderá caso ocorram violações do acordo.
Divergências sobre os termos
Até o momento, o conteúdo oficial do tratado não foi divulgado integralmente. Informações publicadas por veículos internacionais apontam que o entendimento poderá incluir um cessar-fogo de 60 dias, reabertura do Estreito de Ormuz, flexibilização gradual de sanções e compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano.
Fontes ouvidas pela imprensa norte-americana afirmam que o acordo prevê o desmantelamento do programa nuclear do Irã.
Já veículos estatais iranianos sustentam que o país manterá o direito de enriquecer urânio e não abrirá mão do controle sobre o Estreito de Ormuz.
Apesar das divergências, autoridades dos dois lados têm indicado avanço nas negociações. Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos afirmou à Reuters acreditar que existe um “acordo sólido com o Irã”.
Histórico das negociações
A perspectiva de um acordo ganhou força após Trump anunciar, na quinta-feira (11), que negociadores haviam alcançado consenso sobre os principais pontos de uma proposta de paz.
Nos dias seguintes, autoridades iranianas demonstraram cautela sobre a assinatura do memorando, mas reconheceram avanços. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, chegou a afirmar que um acordo “nunca esteve tão próximo”.
O anúncio ocorre após uma nova escalada militar envolvendo bombardeios, ataques com mísseis e o fechamento temporário do Estreito de Ormuz, episódios que aumentaram a pressão internacional por uma solução diplomática para o conflito.


