Facção expulsa milicianos e passa a cobrar “taxa residencial” na zona oeste do Rio

Polícia Civil revela que o Comando Vermelho assumiu a região da Taquara, em Jacarepaguá, e passou a extorquir moradores com cobranças semanais; operação prendeu suspeito armado e foragido da Justiça

A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou nesta semana uma mudança significativa no controle territorial da zona oeste da capital.

O Comando Vermelho (CV) assumiu o domínio da região da Taquara, em Jacarepaguá, após expulsar grupos paramilitares (milicianos) que atuavam no local há anos.

Com a tomada da área, os traficantes passaram a impor uma “taxa residencial” aos moradores, que consiste em pagamentos regulares para garantir a permanência nas casas e a suposta proteção da facção.

Segundo as investigações, a cobrança ocorre principalmente às sextas-feiras, funcionando como um esquema de extorsão organizada.

Com base nessas informações, os agentes organizaram uma operação para flagrar os responsáveis pela cobrança. Durante a ação, Matheus Santos da Silva foi visto saindo de um bar e tentou fugir utilizando um carro roubado.

Na perseguição, houve troca de tiros: o suspeito disparou contra os policiais, que revidaram. Ele acabou atingido de raspão, perdeu o controle do veículo e foi capturado. O próprio grupo de policiais prestou os primeiros socorros antes de levá-lo à delegacia.

Com o preso, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm e dinheiro em espécie, supostamente arrecadado nas cobranças feitas aos moradores.

Matheus estava foragido da Justiça desde junho de 2024, com um mandado de prisão por roubo em aberto. O carro usado na fuga havia sido roubado no início de março, em uma rua próxima ao local da abordagem, por membros do próprio Comando Vermelho.

A polícia agora investiga como o Comando Vermelho conseguiu expulsar os milicianos da região, considerados historicamente fortes na zona oeste, e quais ex-integrantes desses grupos podem ter migrado para o tráfico após a perda de poder local.

O caso evidencia a complexa disputa de poder entre facções e milícias no Rio de Janeiro e mostra como essas organizações criminosas exploram diretamente a população, seja por meio da cobrança de taxas, seja pela imposição de “segurança” controlada.

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