Um vídeo que viralizou nas redes sociais nos últimos dias expôs, com humor e surpresa genuína, um fenômeno curioso: americanos descobrindo que seu próprio país disputa a Copa do Mundo 2026.
Na gravação, a criadora de conteúdo Regina Cheri reage a um comentário sobre as chances dos Estados Unidos no torneio e admite desconhecimento básico sobre a participação do país na competição.
“Quando nós entramos na Copa do Mundo? Nós sempre estivemos na Copa do Mundo? Quem está na nossa seleção de futebol?”
A sequência evolui para um compilado de comentários que misturam ironia e desinformação, muitos deles vindos de outros americanos igualmente surpresos: “Eu achei que a gente só ia receber visitas”, “Nós temos que sediar E jogar?” e “A América não tem chance nenhuma de ganhar. Ganhar o quê?”, entre vários outros.
Confira o vídeo original:
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O tom leve esconde um dado mais profundo: o futebol ainda ocupa um espaço periférico na cultura esportiva dos Estados Unidos, mesmo em um momento em que o país sedia a maior competição do esporte.
Um país anfitrião… pouco engajado
Apesar de receber a Copa ao lado de México e Canadá, os Estados Unidos registram baixo interesse interno pelo torneio. Segundo pesquisa do Pew Research Center, apenas 28% dos adultos afirmaram que pretendem acompanhar o Mundial e só 14% demonstraram interesse real.
Esse distanciamento ajuda a explicar por que comentários como “A gente nem joga futebol” e “Quem é o técnico?” circulam com naturalidade nas redes.
Ao mesmo tempo, o vídeo viraliza justamente por capturar um tipo de reação pouco comum em países tradicionalmente ligados ao futebol: a descoberta tardia de um evento global que acontece “em casa”.
Se por um lado há desinformação, por outro os números mostram que a Copa consegue furar a bolha, ainda que pontualmente.
A estreia dos Estados Unidos no torneio, com vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai, registrou 24,8 milhões de espectadores no total, somando diferentes plataformas. Só na transmissão em inglês, foram 15,99 milhões, um recorde histórico no país.
O comportamento digital acompanhou o fenômeno: houve aumento expressivo em buscas como “os Estados Unidos são bons no futebol?” e até pelo nome da seleção, conhecida como USMNT.
Esse contraste revela um padrão: o futebol cresce nos EUA como evento, não como hábito.
Cultura esportiva e disputa por atenção
A relação distante com o futebol também passa pela concorrência interna. Nos Estados Unidos, modalidades como NFL, NBA e MLB dominam a atenção cultural.
Durante a própria Copa, por exemplo, a final da NBA mobilizou cidades como Nova York, muitas vezes ofuscando o Mundial mesmo em cidades-sede.
Há ainda um fator demográfico relevante: o interesse pelo futebol é significativamente maior entre imigrantes (54%) do que entre americanos nativos (23%), o que cria uma espécie de “bolha cultural” dentro do país.
O vídeo viral funciona, ao mesmo tempo, como entretenimento e retrato social. Quando uma usuária comenta “Eu poderia passar por todo o time no Costco e não faria a menor ideia”, ela sintetiza uma realidade: a seleção nacional ainda não ocupa o imaginário popular americano como acontece em outros países.
Entretanto, há sinais de mudança. O crescimento da audiência, a consolidação da MLS e o desempenho competitivo da seleção indicam que o futebol pode ganhar espaço, especialmente se o engajamento deixar de ser episódico.
Por enquanto, a Copa nos Estados Unidos segue esse lugar curioso: um evento gigante que, para muitos americanos, ainda parece estar acontecendo em outro lugar.


