A Justiça da Noruega condenou, nesta segunda-feira (15), Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, a quatro anos de prisão por estupro.
O caso, que envolve também acusações de violência, ameaças e uso de drogas, provocou forte repercussão no país e impactou a imagem da monarquia.
Hoiby, de 29 anos, foi considerado culpado por dois estupros, incluindo um ocorrido em 2018 dentro da residência oficial da família real. Ele foi absolvido em outras duas acusações semelhantes.
Além dos crimes sexuais, a sentença inclui maus-tratos contra uma ex-companheira, ameaças e infrações diversas. O réu também admitiu culpa em alguns pontos do processo, como lesão corporal, ameaças e transporte de drogas, incluindo o porte de 3,5 quilos de maconha.
O processo reuniu cerca de 40 acusações e teve duração de mais de um mês, entre fevereiro e março. A promotoria havia pedido uma pena de sete anos e sete meses, enquanto a defesa solicitava absolvição nas acusações mais graves.
Durante o julgamento, Hoiby chegou a descrever sua própria trajetória: “Sou conhecido principalmente como o filho da minha mãe, não por outra coisa. Por isso tive uma necessidade extrema de reconhecimento durante toda a minha vida. E isso se traduziu em muito sexo, muita droga e muito álcool”.
Segundo a acusação, os crimes ocorreram entre 2018 e 2024, geralmente após festas em que o réu consumia álcool e entorpecentes. Em alguns casos, as vítimas estariam sem condições de oferecer resistência, o que foi central no debate jurídico.
O promotor Sturla Henriksbo descreveu Hoiby como alguém “que acha que tudo lhe é permitido”.
O caso veio à tona em agosto de 2024, após a detenção de Hoiby por agressão contra uma companheira. Imagens divulgadas na época mostravam sinais de violência em uma residência, como uma faca cravada na parede e objetos destruídos.
Outra mulher, a influenciadora Nora Haukland, também relatou ter sido vítima de violência física e psicológica, classificada pela acusação como um “regime de terror”.
Durante o julgamento, Hoiby reconheceu que episódios de ciúme o levavam a perder o controle, mas negou ter consciência de qualquer prática de estupro.
Apesar de negar as acusações mais graves, o réu enfrentou evidências consideradas relevantes pela investigação. Segundo os investigadores, vídeos encontrados em dispositivos eletrônicos teriam documentado os abusos.
Por motivos de saúde não divulgados, Hoiby não compareceu presencialmente à leitura da sentença e acompanhou o veredicto por videoconferência, já que estava em prisão preventiva desde fevereiro.
Embora não tenha função oficial na família real, Hoiby sempre esteve sob atenção pública por ser filho da princesa herdeira. O caso contribuiu para uma queda no apoio popular à monarquia norueguesa, ainda que os índices permaneçam relativamente elevados.
O episódio se soma a outras controvérsias envolvendo a família real, ampliando o desgaste institucional em um momento sensível.


