Olivia Rodrigo responde polêmica com vestidos babydoll e critica reação do público

Artista afirma que interpretações sobre suas roupas revelam mais sobre quem observa do que sobre sua intenção estética

A cantora Olivia Rodrigo respondeu às críticas que recebeu após usar vestidos estilo babydoll em apresentações recentes e afirmou que a reação do público expõe um problema mais profundo: a forma como a sociedade interpreta o corpo feminino.

Os looks, marcados por babados, renda e silhuetas curtas, fazem parte da estética de seu terceiro álbum, You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love, com lançamento previsto para junho.

A polêmica ganhou força após a divulgação do clipe de “Drop Dead”, em que Rodrigo aparece com um vestido azul da coleção pré-outono 2026 da marca Chloé.

Nas redes sociais, usuários passaram a questionar a escolha estética, classificando o visual como “infantil” e “inapropriado” para performances no palco.

Em resposta, a cantora afirmou que o debate revela uma distorção cultural: “Acho que isso mostra como realmente normalizamos a pedofilia em nossa cultura”.

Em entrevista ao podcast do The New York Times, Rodrigo disse que se incomodou não com as críticas pessoais, mas com o tipo de interpretação feita sobre o figurino.

Segundo ela, já usou roupas mais reveladoras em apresentações sem gerar o mesmo tipo de reação, o que, para a artista, evidencia um olhar enviesado.

A cantora também criticou a lógica que responsabiliza mulheres por como são percebidas:

  • questionou a ideia de que a roupa define intenção sexual
  • apontou que a culpa costuma recair sobre quem veste, não sobre quem interpreta
  • afirmou que não buscava construir uma imagem “sexy” com o look

“Eu não achei que estava sexy com aquela roupa”, disse.

Rodrigo explicou que suas escolhas estéticas têm origem em referências da cena alternativa dos anos 1990, especialmente nomes ligados ao movimento Riot Grrrl.

Entre as inspirações citadas estão:

  • Kathleen Hanna, da banda Bikini Kill
  • Courtney Love, vocalista do Hole

Segundo a artista, a intenção era dialogar com esse universo visual e expressivo e não com qualquer conotação sexual.

A repercussão do caso amplia uma discussão recorrente na cultura pop: até que ponto a estética é interpretada de forma autônoma e até que ponto é filtrada por padrões sociais e culturais já estabelecidos.

Rodrigo afirmou que se preocupa especialmente com o impacto desse tipo de discurso em fãs mais jovens.

“Não quero que meninas cresçam achando que são responsáveis pela forma como outras pessoas enxergam seus corpos”, disse.

A cantora se prepara para lançar o novo álbum em junho e já divulgou singles como “Drop Dead” e “The Cure”.

A turnê “The Unraveled” tem início previsto para setembro, com datas confirmadas na América do Norte e na Europa.

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