O castelo de José Rico, construído ao longo de mais de duas décadas em Limeira, no interior de São Paulo, pode ganhar um novo destino após anos de abandono e disputas judiciais. A prefeitura da cidade declarou o imóvel como de utilidade pública, abrindo caminho para a criação de um museu dedicado à música sertaneja.
A medida é o primeiro passo de um processo que ainda depende de estudos técnicos, jurídicos e financeiros. A desapropriação não é imediata, mas autoriza o poder público a avaliar a viabilidade de transformar o espaço em um equipamento cultural.
Com mais de 100 quartos e uma área total de 48 mil metros quadrados, o imóvel está avaliado em cerca de R$ 15 milhões. Parte da área (pouco mais de 10 mil metros quadrados, onde fica o castelo) poderá ser incluída no projeto.
José Rico, que formava dupla com Milionário, morreu em 2015 sem ver o castelo finalizado. A construção durou cerca de 24 anos e sempre foi conduzida de forma pouco convencional.
Segundo relatos de moradores da região, o cantor participava diretamente das decisões da obra, muitas vezes sem seguir projetos técnicos formais. O local seria um espaço multifuncional, pensado como:
- residência para a família
- estúdio musical
- possível gravadora
- ponto turístico
O projeto, no entanto, nunca saiu do papel completamente e acabou se tornando um símbolo de um sonho interrompido.
Nos últimos anos, o castelo passou a integrar um processo judicial relacionado a dívidas trabalhistas deixadas pelo artista. A Justiça chegou a determinar a penhora do imóvel.
Desde 2021, pelo menos três tentativas de leilão foram realizadas, sem qualquer interessado. Em uma delas, uma fração de 21% da propriedade foi avaliada em R$ 3,2 milhões.
O impasse travou qualquer destino para o espaço, que acumula sinais de deterioração ao longo do tempo.
A prefeitura de Limeira afirma que pretende buscar parcerias com a iniciativa privada e recursos estaduais e federais para viabilizar o projeto, sem uso direto de verba municipal.
A ideia é transformar o local em um polo de valorização da música sertaneja, aproveitando o peso simbólico da trajetória de José Rico no gênero.
Caso avance, o projeto pode resolver dois problemas simultaneamente:
- dar função pública a um imóvel abandonado
- preservar a memória de um dos nomes mais conhecidos da música sertaneja
O castelo também carrega uma dimensão simbólica dentro da obra do cantor. José Rico chegou a compor a música “Castelo”, nos anos 1990, inspirada no próprio projeto.
Hoje, o que era pensado como um presente e um refúgio familiar se transformou em um espaço inacabado e, agora, em potencial patrimônio cultural.
A decisão sobre o futuro do imóvel ainda depende das próximas etapas do processo, mas o decreto indica uma mudança de rumo: de um projeto pessoal interrompido para uma possível referência pública da cultura sertaneja.


