As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre a imposição de novas tarifas comerciais chegaram a um ponto decisivo.
O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, informou a representantes do governo brasileiro que já apresentou ao presidente Donald Trump sua recomendação final sobre o chamado tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros.
Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, Greer considerou encerrada a fase de negociações entre os dois países e demonstrou insatisfação com o que classificou como falta de empenho por parte do governo brasileiro durante as tratativas.
A reunião virtual mais recente ocorreu nesta terça-feira (14) e contou com a participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Itamaraty e da Presidência da República.
De acordo com fontes envolvidas nas discussões, as críticas feitas pelo representante norte-americano foram imediatamente contestadas pela delegação brasileira.
Entre os principais pontos levantados pelo Brasil está a ausência de justificativas técnicas consistentes para sustentar a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, instrumento utilizado pelo governo americano para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país.
Os representantes brasileiros também questionaram alegações relacionadas ao desmatamento na Amazônia, argumentando que os indicadores recentes apontam redução dos índices na região.
Outro tema citado foi a tentativa de negociação envolvendo o mercado de etanol e açúcar. Segundo integrantes da equipe brasileira, os Estados Unidos rejeitaram a possibilidade de flexibilizar o acesso do açúcar brasileiro em troca de uma redução tarifária sobre o etanol importado.
Apesar do tom mais duro adotado pelo USTR, houve um sinal considerado positivo pelo governo brasileiro.
Greer indicou que a lista de exceções ao tarifaço poderá ser ampliada já na divulgação da medida final.
O representante americano afirmou que não pretende trabalhar com uma “lista dinâmica” de exceções, o que foi interpretado como um indicativo de que não haverá ampliações graduais posteriores, como ocorreu em medidas semelhantes adotadas anteriormente.
Ainda assim, o chefe do USTR disse ter levado em consideração argumentos apresentados por empresas e autoridades brasileiras sobre a necessidade de preservar determinados setores da economia.
Durante as conversas, o governo Lula enfatizou que parte significativa do comércio bilateral envolve empresas americanas instaladas no Brasil que exportam componentes e produtos industrializados para suas próprias matrizes nos Estados Unidos.
A avaliação dentro do governo é que esse argumento foi bem recebido pelos negociadores americanos.
Por isso, existe expectativa de que mais produtos industrializados possam ser incluídos entre os itens isentos das novas tarifas.
Pelas projeções atuais, o tarifaço atingiria cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, considerando os valores movimentados atualmente.
Nos bastidores, porém, integrantes do governo demonstram otimismo de que o percentual afetado possa diminuir caso a ampliação das exceções seja confirmada pela Casa Branca.
Embora Greer tenha afirmado que a fase de negociação está encerrada, o representante americano também sinalizou disposição para manter os canais de diálogo abertos.
Ao final do encontro, segundo relatos de participantes, autoridades brasileiras reforçaram que continuam disponíveis para novas conversas.
“Nós estamos aqui”, teria sido a mensagem transmitida aos representantes dos Estados Unidos.



