A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou nesta quarta-feira (20) a demissão de cerca de 8 mil funcionários enquanto acelera investimentos em inteligência artificial (IA) e reorganiza suas equipes internas.
A medida ocorre semanas após declarações do CEO Mark Zuckerberg sobre o uso do trabalho dos próprios funcionários, que são mais “inteligentes” que o normal, para treinar modelos de IA da empresa.
Segundo a agência Bloomberg, os desligamentos representam aproximadamente 10% da força de trabalho da companhia, que tinha 78.865 funcionários no fim de 2025.
A informação também foi confirmada ao G1 por um funcionário da empresa que pediu anonimato.
As notificações começaram a ser enviadas inicialmente a trabalhadores da Ásia e, posteriormente, aos funcionários dos Estados Unidos.
Ainda não há confirmação sobre possíveis impactos nas operações da Meta no Brasil.
Suposto áudio vazado mostra Zuckerberg citando uso de funcionários para treinamento de IA
Segundo informações divulgadas nas redes sociais, um suposto áudio vazado, gravado durante uma reunião geral realizada em 30 de abril, mostra Mark Zuckerberg afirmando aos funcionários que os modelos de inteligência artificial da Meta aprendem observando profissionais altamente qualificados executando tarefas dentro da empresa.
“Os modelos de IA aprendem observando pessoas realmente inteligentes fazendo coisas… A inteligência média das pessoas que estão nesta empresa é significativamente maior do que a média de pessoas que você pode conseguir para realizar tarefas.”
Na mesma reunião, o executivo mencionou especificamente o desenvolvimento de ferramentas internas e atividades ligadas à programação.

“Então, se estamos tentando ensinar aos modelos programação, por exemplo, então ter pessoas internamente construindo ferramentas ou resolvendo tarefas que ajudam a ensinar ao modelo como programar,
achamos que vai aumentar dramaticamente a capacidade de programação do nosso modelo mais rápido do que o que outros na indústria têm a capacidade de fazer, que não têm milhares e milhares de engenheiros extremamente fortes em sua empresa”.
As declarações repercutiram entre usuários nas redes sociais. Um comentário criticou a estratégia adotada pela companhia.
“O racional do Zuckerberg é: ‘Eu pago seu salário, então tenho direito não só ao produto do seu trabalho, mas a como você produz o seu trabalho, e uma vez que eu copiar como você faz o seu trabalho, não preciso mais de você’”.
Reestruturação prioriza inteligência artificial
Antes das demissões, a Meta anunciou a realocação de cerca de 7 mil funcionários para novas áreas voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial.
Segundo comunicado interno assinado por Janelle Gale, diretora de recursos humanos da empresa, os profissionais serão distribuídos em quatro novas organizações focadas em ferramentas e aplicativos de IA.
A executiva afirmou que as mudanças têm como objetivo aumentar a produtividade da companhia e tornar o trabalho mais eficiente.
O memorando também informou que as novas equipes terão menos gestores por funcionário e utilizarão estruturas chamadas de “design nativo de IA”.
Big techs ampliam cortes e investimentos em IA
A Meta intensificou os investimentos em inteligência artificial nos últimos meses para competir com empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
Em janeiro, Zuckerberg informou a investidores que pretende aplicar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em infraestrutura e tecnologias de IA neste ano.
O movimento acompanha uma tendência em todo o setor de tecnologia. Empresas como Cisco, Microsoft e Coinbase também anunciaram recentemente cortes de pessoal e reorganizações ligadas ao avanço da inteligência artificial.


