Marco Civil da Internet muda e amplia regras para big techs no Brasil

Decreto assinado por Lula responsabiliza plataformas por crimes digitais e reforça proteção a mulheres online

O Marco Civil da Internet passou a contar com novas regras para plataformas digitais após decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quarta-feira (20).

As mudanças, que entraram em vigor no dia 21 de maio com publicação no Diário Oficial da União (DOU), ampliam a responsabilização das empresas de tecnologia na prevenção de golpes, fraudes e crimes digitais.

Entre as medidas anunciadas está a obrigação de plataformas que comercializam anúncios manterem registros de dados relacionados às publicidades veiculadas.

O objetivo é permitir eventual responsabilização das empresas e reparação de danos às vítimas em casos de violação da legislação.

A fiscalização do cumprimento das novas determinações ficará sob responsabilidade da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).

O decreto também prevê ações para impedir a circulação de conteúdos ligados a crimes graves na internet.

Passam a integrar o escopo das medidas preventivas conteúdos relacionados a terrorismo, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas, incentivo à automutilação e violência contra mulheres.

Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Novas regras do Marco Civil da Internet

As mudanças determinam que empresas poderão ser responsabilizadas quando houver falhas na prevenção de fraudes, golpes e crimes em conteúdos de publicidade paga. Nos casos de publicações não impulsionadas, a remoção poderá ocorrer após notificação.

Outro decreto assinado pelo governo federal estabelece diretrizes voltadas à proteção de mulheres no ambiente digital. O texto detalha obrigações das plataformas para prevenir e responder a casos de violência online.

As empresas deverão adotar mecanismos para impedir a disseminação de conteúdos criminosos, principalmente aqueles que envolvam exposição de imagens íntimas sem consentimento.

A regra também inclui materiais produzidos por inteligência artificial.

Além disso, as plataformas serão obrigadas a disponibilizar um canal permanente e de fácil acesso para denúncias relacionadas à divulgação de conteúdos íntimos não autorizados.

Proteção digital e combate à violência online

Segundo as novas determinações, conteúdos íntimos denunciados deverão ser retirados do ar em até duas horas após a notificação feita pelo usuário.

A medida busca acelerar a resposta das plataformas em situações de violência digital.

O decreto também amplia as exigências preventivas relacionadas ao uso de inteligência artificial. A vedação à utilização de IA para produção de imagens íntimas de mulheres passa a integrar formalmente as obrigações das plataformas digitais.

As novas regras atingem grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, responsáveis por redes sociais e serviços digitais com grande alcance no país.

Procuradas pela imprensa, as empresas Google e Meta, controladora de Instagram, Threads e Facebook, informaram que não irão se posicionar sobre as mudanças anunciadas pelo governo federal.

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