China recupera propulsor no mar e avança em foguetes reutilizáveis

Sistema com rede em plataforma marítima marca primeira recuperação orbital do país e reforça disputa global no setor espacial

A China deu um passo relevante na corrida por foguetes reutilizáveis ao realizar, nesta sexta-feira (10), um teste bem-sucedido de recuperação de propulsor no mar. O experimento envolveu o foguete Long March 10B e foi considerado pela mídia estatal como a primeira recuperação de um foguete de classe orbital no país.

O lançamento ocorreu a partir do centro espacial de Hainan, no sul da China. Cerca de seis minutos após a separação do estágio principal, o propulsor retornou à Terra e foi capturado por uma rede instalada em uma plataforma marítima, em um procedimento diferente do modelo mais conhecido no setor.

Ao contrário de empresas como a SpaceX, que utilizam pousos verticais com pernas retráteis, o sistema chinês aposta em uma solução alternativa.

O método testado utiliza:

  • “ganchos de pouso” acoplados ao propulsor
  • rede suspensa em plataforma no mar
  • descida controlada na vertical

Essa abordagem busca simplificar a recuperação e reduzir custos operacionais, ainda que esteja em estágio inicial de desenvolvimento.

O avanço aproxima a China de tecnologias já dominadas por empresas norte-americanas. O Falcon 9, da SpaceX, realiza pousos controlados desde 2015 e se consolidou como referência global em reutilização de foguetes.

Hoje, o modelo americano executa cerca de 150 lançamentos por ano, com propulsores sendo reaproveitados diversas vezes, o que representa uma economia significativa no setor aeroespacial.

Já a China vinha enfrentando dificuldades. Tentativas anteriores de recuperação falharam, especialmente na etapa final de pouso, considerada a mais crítica do processo.

A reutilização de foguetes é vista como peça-chave para o futuro da indústria espacial. O reaproveitamento do propulsor (geralmente a parte mais cara do equipamento) permite reduzir drasticamente os custos de lançamento.

Esse avanço é estratégico para a China, que busca expandir suas constelações de satélites comerciais e fortalecer sua presença na economia espacial global.

O teste também teve impacto imediato no mercado: ações de empresas aeroespaciais chinesas registraram alta após a divulgação do resultado.

O Long March 10B faz parte de uma família de foguetes em desenvolvimento para missões mais ambiciosas, incluindo o programa chinês de envio de astronautas à Lua até 2030.

Segundo a mídia estatal, os dados coletados no teste devem ajudar a validar tecnologias fundamentais para futuras operações, tanto comerciais quanto tripuladas.

A expectativa é que o propulsor recuperado possa ser reutilizado ainda este ano, marcando uma nova fase nos testes chineses.

A conquista não coloca o país imediatamente no mesmo patamar dos líderes do setor, mas sinaliza uma mudança de cenário: a disputa por foguetes reutilizáveis e pelo domínio do espaço tende a se intensificar nos próximos anos.

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