A Coreia do Sul tem recorrido à tecnologia para enfrentar uma crise crescente de saúde mental entre idosos. Em meio a uma das maiores taxas de suicídio entre pessoas acima de 65 anos nos países da OCDE, iniciativas com robôs companheiros vêm ganhando espaço como ferramenta de apoio emocional e monitoramento diário.
Entre elas está o Hyodol, boneco equipado com inteligência artificial projetado para interagir com idosos que vivem sozinhos.
De acordo com relatório publicado em junho de 2025 no Journal of the Korean Medical Association, cerca de 10 idosos cometem suicídio por dia no país.
Especialistas apontam que o avanço rápido do envelhecimento populacional, associado à diminuição dos lares multigeracionais, tem intensificado a solidão, a vulnerabilidade financeira e a sensação de abandono. Hoje, um em cada três idosos sul-coreanos mora sozinho.
O Hyodol foi desenvolvido para mitigar esses efeitos. O robô, que mede entre 38 e 50 centímetros, conversa com o usuário, lembra horários de medicação, realiza exercícios cognitivos e envia alertas a familiares e assistentes sociais.
Seu principal apelo, no entanto, é emocional: o dispositivo cumprimenta o idoso ao chegar em casa e responde ao toque. A aparência infantil, com olhos grandes e voz semelhante à de uma criança, foi pensada para estimular vínculo e confiança.
Segundo a empresa fabricante, mais de 12 mil unidades já foram distribuídas por programas públicos até novembro de 2025. Um modelo mais recente é comercializado por cerca de R$ 4.700.
Assistentes sociais relatam melhora significativa na disposição e no humor de idosos atendidos. Estudos mostram redução de sintomas depressivos e até adiamento de internações em instituições de longa permanência entre usuários com comprometimento cognitivo leve.
Apesar dos avanços, especialistas alertam para desafios éticos. Alguns idosos desenvolvem níveis de apego considerados excessivos, enquanto outros rejeitam o dispositivo por se sentirem infantilizados.
Também há debate sobre privacidade e autonomia, embora a empresa afirme que os dados coletados são anonimizados.
Outros países asiáticos adotam soluções semelhantes. No Japão, o robô terapêutico PARO, em formato de foca bebê, é usado em hospitais e instituições e já demonstrou eficácia na redução de ansiedade e agitação.
O mercado global de robôs para cuidado de idosos deve movimentar US$ 7,7 bilhões até 2030, segundo estimativas internacionais.


