Bateria chinesa pode levar carros elétricos a 1.000 km de autonomia com uma única carga

Pesquisadores da China desenvolvem nova tecnologia de bateria semissólida e de lítio metálico que promete ampliar significativamente a autonomia de veículos elétricos

Uma nova tecnologia de baterias desenvolvida por pesquisadores chineses pode representar um avanço significativo para o setor de veículos elétricos.

Estudos recentes indicam que uma nova geração de baterias semissólidas e de lítio metálico pode ampliar a autonomia desses veículos para até 1.000 quilômetros com uma única recarga.

Atualmente, a maioria dos carros elétricos disponíveis no mercado apresenta autonomia média entre 350 km e 450 km, dependendo do modelo e das condições de uso.

Pesquisa liderada por universidade chinesa

O desenvolvimento foi conduzido por cientistas da Universidade Nankai, localizada em Tianjin, na China. Os resultados foram apresentados em um artigo científico publicado na revista Nature em 25 de fevereiro.

O estudo descreve uma bateria de lítio metálico capaz de atingir densidade de energia de 700 Wh/kg em temperatura ambiente, um dos maiores índices já registrados nesse tipo de tecnologia.

Além disso, os pesquisadores relatam testes com uma bateria semissólida instalada em um veículo experimental.

Segundo o grupo, a célula energética ultrapassa 500 Wh/kg e pode oferecer autonomia superior a 1.000 km no padrão chinês CLTC.

Diferença entre os padrões de medição

A autonomia divulgada segue o padrão CLTC (China Light-Duty Vehicle Test Cycle), utilizado na China para medir o alcance de veículos elétricos.

Caso a mesma medição fosse aplicada em padrões mais conservadores, como o utilizado pelo Inmetro no Brasil, a estimativa seria menor.

Nesse caso, a autonomia ficaria em torno de 700 km, cerca de 30% inferior, pois o método considera condições mais exigentes, como velocidades maiores e uso de ar-condicionado.

Mudança química aumenta densidade de energia

De acordo com os pesquisadores, o principal avanço ocorreu após uma alteração na composição química do eletrólito, substância responsável pela condução de íons dentro da bateria.

O estudo substituiu a coordenação baseada em oxigênio por uma baseada em flúor. Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, o uso de solventes fluorados melhora a chamada “molhabilidade” do eletrólito, permitindo reduzir a quantidade de líquido necessária no sistema.

Essa mudança contribui diretamente para elevar a densidade energética da bateria, um dos fatores mais importantes para ampliar a autonomia de veículos elétricos.

Tecnologia já mira produção industrial

Os pesquisadores afirmam que o desenvolvimento já avançou além da fase de laboratório e pode chegar ao mercado nos próximos anos! 

“Veículos elétricos equipados com as novas baterias podem ultrapassar 1.000 km de autonomia com uma única carga e espera-se que entrem em produção em massa até o final de 2026”, disse Lu Tianjun, gerente geral da China Automotive New Energy Battery Technology, produtora de baterias, ao site EVXL.

A empresa é fornecedora da FAW, uma das principais montadoras estatais chinesas.

bandeira China
Foto: Brian Matangelo/Unsplash

Por que baterias semissólidas são consideradas mais seguras

As baterias de íon-lítio tradicionais utilizam eletrólitos líquidos que podem ser inflamáveis. Em situações de falha térmica, esses componentes podem intensificar incêndios ou danos estruturais.

A proposta das baterias semissólidas e de estado sólido é reduzir a quantidade de líquido inflamável, substituindo parte dele por materiais sólidos menos voláteis. Isso tende a aumentar a segurança e reduzir o risco de falhas catastróficas.

Outro objetivo da nova tecnologia é minimizar a formação de pequenas estruturas metálicas semelhantes a agulhas que podem crescer dentro da bateria e provocar curtos-circuitos.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre eletrólito sólido e um componente líquido “supermolhante” busca manter a condução eficiente de íons ao mesmo tempo em que aumenta a estabilidade do sistema.

Desafios ainda existem para produção em larga escala

Apesar dos resultados promissores, especialistas destacam que testes em escala industrial e avaliações independentes ainda são necessários antes que a tecnologia chegue ao mercado automotivo.

O resultado de 700 Wh/kg apresentado no estudo possui respaldo científico por ter sido publicado em revista revisada por pares.

No entanto, transformar esse desempenho em baterias comerciais seguras, duráveis e economicamente viáveis ainda é um desafio para a indústria.

Para comparação, o modelo BYD Dolphin, um carro elétrico popular, possui baterias com densidade de cerca de 150 Wh/kg, oferecendo autonomia próxima de 300 km.

Parceria entre universidade e indústria

O projeto é descrito como uma colaboração entre pesquisadores acadêmicos e empresas do setor automotivo, incluindo organizações ligadas ao grupo FAW e à marca Hongqi.

O objetivo da parceria é acelerar a transição de protótipos experimentais para linhas de produção industrial.

“Nosso objetivo é enfrentar desafios reais da indústria”, disse Chen Jun, vice-presidente da Nankai University e acadêmico da Academia Chinesa de Ciências, ao site EVXL.

BYD Dolphin
Foto: Divulgação

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