A Albânia estuda criar um novo Estado dentro de seu território. A proposta, anunciada pelo primeiro-ministro Edi Rama, prevê conceder soberania ao Centro Mundial Bektashi, em Tirana, sede da ordem bektashi, um ramo do islamismo.
Se o projeto avançar, o enclave teria cerca de 0,1 quilômetro quadrado, podendo se tornar um dos menores países do mundo.
A iniciativa ganhou o apelido de “Vaticano islâmico” por envolver uma comunidade religiosa com autonomia territorial.
Segundo o plano, o novo território teria fronteiras, passaportes e instituições próprias.
A proposta também busca associar a imagem do local a uma visão mais tolerante do islamismo.
“Deus não proíbe nada. Por isso, Ele nos deu a mente”, declarou o líder da ordem, Baba Mondi.
Quem são os bektashis?
O que está em debate?
A criação do micropaís ainda depende de aprovação do Parlamento albanês e de definições legais sobre seu status de soberania.
Além disso, o projeto precisaria de reconhecimento internacional, o que é apontado como um dos principais desafios.
Especialistas também questionam a comparação com o Vaticano. “É uma comparação frágil”.
“Esse é um caso sem precedentes de engenharia religiosa contemporânea. Comparar isso não resiste ao escrutínio histórico, pois a Cidade do Vaticano surgiu de um acordo imposto ao Estado Papal em 1929 por Benito Mussolini”, disse Besnik Sinani, pesquisador especializado em teologia islâmica na Universidade de Tübingen, na Alemanha, em entrevista ao UOL.
Na avaliação de Sinani, o governo da Albânia ainda não apresentou uma justificativa convincente para a criação de um Estado voltado aos bektashis.
De acordo com o censo de 2023, cerca de metade da população da Albânia segue o islamismo, principalmente na vertente sunita, enquanto aproximadamente 10% se declara bektashi.
A parcela restante é formada por cristãos católicos e ortodoxos.
No entanto, Rakipi avalia que a proposta, embora sensível e cercada de complexidade, é “uma boa iniciativa para tentar promover uma cultura de coexistência e tolerância”.
Contexto político e reações
A proposta surge em meio a discussões políticas dentro e fora da Albânia.
Turquia e Irã aparecem entre os países que reagiram com reserva à ideia, enquanto críticos afirmam que o projeto pode ter impacto diplomático e político.
Na Albânia, a medida também é vista sob a lente da crise interna enfrentada pelo governo de Edi Rama, em um momento de pressão da oposição e protestos nas ruas.


