As ilhas mais remotas do planeta entraram, de forma inusitada, na nova política de tarifas comerciais dos Estados Unidos.
Territórios praticamente intocados, como Heard e McDonald, no sul do Oceano Índico, e a ilha vulcânica de Jan Mayen, no Ártico, foram listados entre os 185 países e regiões que agora estão sujeitos às chamadas “tarifas recíprocas” do governo norte-americano.
A medida, anunciada pelo Departamento de Comércio dos EUA, busca equilibrar relações comerciais impondo tarifas de 15% a países e territórios que já aplicam taxas a produtos norte-americanos.
No entanto, a inclusão de ilhas onde não há comércio, população civil permanente ou atividade econômica relevante levantou questionamentos sobre os critérios utilizados.
As ilhas Heard e McDonald, sob soberania da Austrália, são áreas desabitadas e reconhecidas como Patrimônio Mundial da Unesco.
Conhecidas por sua biodiversidade única, elas abrigam colônias de pinguins-reis, focas e aves marinhas. Protegidas por legislação ambiental, não possuem infraestrutura ou exportações significativas — nem mesmo contato comercial com os Estados Unidos.
Já Jan Mayen, território da Noruega, é uma ilha vulcânica situada entre a Groenlândia e a Islândia. Sua ocupação é restrita a militares e cientistas em missões temporárias, e não existe atividade comercial estruturada.
Ainda assim, o território foi incluído na lista e também taxado em 15%.
Apesar de o impacto econômico ser praticamente nulo, a decisão chamou atenção internacional e gerou reações críticas e irônicas.
Analistas apontam que a aplicação das tarifas a locais sem comércio efetivo pode indicar falhas na metodologia ou na base de dados usada para definir os alvos da política.
Ambientalistas também destacaram o caráter curioso da medida: “Até os pinguins foram taxados”, ironizou um pesquisador australiano, lembrando que a fauna dessas ilhas é a principal presença permanente nas regiões.
O caso ilustra os efeitos colaterais de políticas comerciais globais abrangentes, que muitas vezes não consideram as especificidades locais.
Para alguns críticos, a inclusão dessas ilhas é mais simbólica do que prática, mas expõe a rigidez e a falta de ajustes finos no modelo de tarifas recíprocas dos EUA.



