Um estudo publicado nesta terça-feira (8/4) na revista The Lancet acendeu um alerta global: mais de 1 milhão de crianças podem ser infectadas pelo HIV e cerca de 460 mil podem morrer de Aids até 2030, caso o Pepfar (programa dos Estados Unidos de combate à doença) seja cortado ou suspenso.
Criado em 2003, durante o governo George W. Bush, o Pepfar já destinou mais de US$ 120 bilhões (R$ 774 bilhões) a ações de prevenção, tratamento e fortalecimento de sistemas de saúde, principalmente na África Subsaariana, região mais afetada pela epidemia.
Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas dependem do programa para acesso a medicamentos antirretrovirais e políticas de proteção social.
Segundo os pesquisadores, a possível redução do orçamento foi motivada por decisões tomadas no governo Donald Trump, que colocaram em risco a continuidade do projeto.
A interrupção poderia deixar até 2,8 milhões de crianças órfãs nos próximos cinco anos.
As simulações usadas no estudo mostram que manter o Pepfar ativo até 2030 é financeiramente viável e fundamental para alcançar a meta da ONU de erradicar a Aids como ameaça à saúde pública.
“O retrocesso seria irreversível”, alertam os cientistas, destacando que cortes afetariam não apenas o HIV, mas também o controle de outras doenças transmissíveis, como tuberculose e hepatites.
Desde 2010, o número de órfãos por Aids na África Subsaariana caiu de 14 para 10,5 milhões graças às ações do programa.
Além de fornecer tratamento, o Pepfar investe em educação, proteção infantil e prevenção de abusos contra meninas e adolescentes, criando uma rede de apoio que vai além da saúde.
O estudo ressalta ainda que o Pepfar fortaleceu a diplomacia americana em países em desenvolvimento, mostrando os Estados Unidos como protagonista no enfrentamento de crises humanitárias.
O futuro do combate ao HIV
Especialistas afirmam que, sem o Pepfar, o risco é de uma nova onda de infecções que comprometeria duas décadas de avanços.
Manter o programa ativo é visto não apenas como uma questão de saúde, mas também como um compromisso ético e humanitário diante da população mais vulnerável.



