A política Marine Le Pen, uma das principais figuras da extrema-direita francesa, foi condenada pelo Tribunal Correcional de Paris a cinco anos de inelegibilidade e quatro anos de prisão, sendo dois em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica.
A decisão, anunciada no fim de março, inclui ainda uma multa de €100 mil e atinge diretamente o futuro eleitoral da líder da Reunião Nacional (RN).
A sentença tem como base acusações de desvio de €4,1 milhões em recursos do Parlamento Europeu entre 2004 e 2016.
Segundo a investigação, o dinheiro, originalmente destinado à contratação de assistentes parlamentares, teria sido usado para financiar atividades partidárias da antiga Frente Nacional, hoje Reunião Nacional.
O impacto imediato é a exclusão de Le Pen das eleições presidenciais de 2027, para as quais ela vinha se preparando. A defesa da política afirmou que recorrerá, mas a inelegibilidade já está em vigor, tornando inviável sua participação na disputa.
O próprio Reunião Nacional também foi condenado, devendo pagar €2 milhões como reparação. A decisão gera preocupação sobre a sustentabilidade financeira da legenda, que tem em Le Pen sua principal figura pública.
Com isso, cresce a expectativa em torno do presidente do partido, Jordan Bardella, apontado como possível candidato a assumir a liderança nas urnas.
A condenação repercutiu internacionalmente. Líderes da direita europeia, como Viktor Orbán (Hungria) e Matteo Salvini (Itália), classificaram a decisão como “perseguição política”.
Já dentro da França, o caso reacendeu o debate sobre corrupção e uso indevido de recursos públicos, reforçando pressões por maior fiscalização das atividades de partidos e parlamentares.
Marine Le Pen vinha buscando reconfigurar sua imagem, tentando suavizar a associação histórica de sua legenda ao extremismo e às polêmicas do passado.
A estratégia incluía um novo discurso de moderação, mirando o Palácio do Eliseu em 2027. A condenação, porém, coloca seu futuro político em xeque e pode alterar profundamente o equilíbrio de forças na próxima eleição presidencial francesa.
A decisão é considerada uma das mais duras já aplicadas contra uma liderança política de alto escalão no país e representa um marco na aplicação de sanções contra corrupção no âmbito europeu.


