Secretário de Trump tira Brasil da lista de países amigáveis e eleva tensão diplomática

Declaração ocorre em meio a novas ameaças tarifárias, divergências políticas e críticas públicas entre Washington e Brasília

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Brasil não faz parte do grupo de países considerados amigáveis aos interesses americanos no continente. A declaração foi feita durante uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA e ampliou o clima de tensão diplomática entre Washington e Brasília. 

Ao falar sobre a América Latina, Rubio afirmou que os Estados Unidos contam atualmente com uma coalizão de mais de uma dezena de países aliados. Em seguida, citou algumas exceções.

“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela e, claro, do Brasil”, declarou o chefe da diplomacia americana ao analisar o cenário regional.

Brasil foi chamado de inimigo dos EUA?

Apesar da repercussão nas redes sociais, Rubio não declarou oficialmente o Brasil como um inimigo dos Estados Unidos.

O que ocorreu foi a exclusão do país do grupo que ele descreveu como formado por governos “amigáveis” ou alinhados aos interesses americanos na região. Na prática, a fala posiciona o Brasil entre os países que Washington considera mais difíceis para cooperação política e estratégica no atual momento.

A declaração ganhou peso porque acontece em um período de atritos entre os dois governos, envolvendo comércio exterior, política regional e segurança.

Horas antes da fala de Rubio, o governo americano anunciou uma proposta para aplicar uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais.

Embora setores importantes, como café, carne bovina e peças aeronáuticas, tenham ficado fora da lista inicial, a medida pode afetar diversos segmentos exportadores caso seja confirmada em julho.

Além disso, Washington também intensificou a pressão sobre o Brasil ao anunciar a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, uma medida criticada pelo governo brasileiro por possíveis impactos sobre a soberania nacional.

Lula reagiu às declarações

Enquanto Rubio prestava depoimento no Senado americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento em Goiás e criticou diretamente o secretário de Estado.

Lula afirmou que Rubio é “anti-América Latina” e declarou acreditar que o diplomata não tem simpatia pelo Brasil. Segundo o presidente, as divergências não refletem necessariamente a relação que mantém com Donald Trump.

As declarações reforçam um momento de desgaste que vem se acumulando nos últimos meses entre os dois governos.

Apesar da escalada retórica, Brasil e Estados Unidos seguem mantendo relações diplomáticas e comerciais formais.

O governo americano abriu uma consulta pública sobre as tarifas propostas, com prazo até 1º de julho. A decisão final deverá ser tomada após audiências e negociações entre os dois países.

Por enquanto, a fala de Rubio tem sobretudo um peso político e diplomático, mas sinaliza que a relação bilateral atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos.

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