O Irã mergulhou em uma espiral de violência e isolamento digital nesta semana. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), a última quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento desde o início da atual onda de manifestações, com 13 mortes confirmadas em um único dia.
No total, ao menos 45 pessoas morreram, incluindo oito menores de idade, em confrontos entre manifestantes e forças de segurança que já atingem as 31 províncias do país.
O movimento, que começou em dezembro de 2025 após o fechamento de mercados em Teerã, é motivado pelo colapso do rial (moeda local) e por uma crise econômica sem precedentes.
O país tenta se recuperar dos impactos de anos de sanções e da guerra contra Israel ocorrida em junho de 2025, que exauriu as reservas nacionais e disparou a inflação.
Apagão digital e repressão no Irã
Para conter a organização dos atos, o regime iraniano impôs um “apagão nacional” da internet. Dados do observatório Netblocks e da Cloudflare indicam uma queda de 90% no tráfego de dados, deixando a população isolada e dificultando a denúncia de abusos.
Relatos da agência Hrana e da Anistia Internacional apontam que forças de segurança estão utilizando armas de fogo contra civis e invadindo hospitais para prender manifestantes feridos.
A crise atraiu a atenção imediata de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto ao regime de Teerã nesta quinta-feira (8), afirmando que o país será “atingido com muita força” caso as autoridades continuem a matar manifestantes.
Em contrapartida, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, acusou os EUA e Israel de orquestrarem a desestabilização para derrubar a República Islâmica.
Embora o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tenha pedido “máxima contenção”, a ala mais conservadora do governo e a Guarda Revolucionária mantêm uma postura de tolerância zero.
O cenário atual já é comparado aos grandes protestos de 2022, mas com um agravante: a asfixia econômica agora atinge todas as camadas sociais, unindo bazares, operários do setor petrolífero e a juventude urbana em um grito comum contra o governo.


