O mercado financeiro brasileiro encerrou o pregão com movimentos expressivos nesta sessão. O dólar comercial caiu para R$ 5,18, registrando o menor valor em 21 meses!
Enquanto isso, o Ibovespa avançou quase 2% e alcançou um novo recorde histórico, superando a marca dos 186 mil pontos.
O desempenho foi influenciado por fatores internacionais, especialmente ligados à China, e por declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre o atual estágio da política monetária no país.
Dólar atinge menor cotação em mais de oito meses
A moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,62%, cotada a R$ 5,188 para venda. O valor representa a menor cotação desde 28 de maio de 2024, quando o dólar havia fechado a R$ 5,153.
A desvalorização ocorreu em meio a notícias de que o governo chinês recomendou a bancos locais a redução da exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O movimento impactou a rentabilidade dos papéis americanos e favoreceu moedas de países emergentes, como o real. A China é atualmente o maior detentor estrangeiro de treasuries.
Ibovespa supera 186 mil pontos e bate recorde
No mercado acionário, o Ibovespa manteve trajetória de alta ao longo de todo o pregão e fechou com valorização de 1,80%, aos 186.241 pontos.
O resultado superou o recorde anterior de 185.674 pontos, registrado no dia 3 de fevereiro.
Segundo análise do mercado, o fluxo de capital estrangeiro segue sustentando o índice, mesmo após um período recente de oscilações mais contidas.
“O Ibovespa segue em movimento de lateralização, oscilando entre 180 mil e 185 mil pontos nos últimos nove pregões. Por um lado, esse comportamento pode ser interpretado como uma correção lateral após a forte alta recente; por outro, o fluxo de capital estrangeiro continua dando sustentação ao índice nesse patamar”, disse Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, em entrevista ao portal UOL.
Declarações do Banco Central repercutem no mercado
Outro fator relevante para o desempenho dos ativos foi a fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.
Ao comentar o atual cenário econômico, Galípolo destacou que a política monetária passa por um momento de ajustes finos, diante de sinais de melhora no ambiente inflacionário e desaceleração da atividade econômica.
“Eu acho que agora a gente chega num momento onde a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra calibragem. Acho que essa é a palavra essencial: calibragem”, disse Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Expectativas para inflação e juros seguem no radar
O mercado aguarda a divulgação do IPCA de janeiro, que será publicada pelo IBGE. O índice oficial de inflação encerrou 2025 em 4,26%.
De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para a inflação oficial em 2026 caiu pela quinta semana consecutiva, passando de 3,99% para 3,97% ao ano.
As estimativas para a taxa Selic em 2026 foram mantidas em 12,25% ao ano, pela sétima semana seguida.
Para 2027, a expectativa permanece em 10,50% ao ano. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, e o Banco Central sinalizou, na última ata do Copom, que os cortes de juros podem ter início a partir de março.


