Brasileiro detido nos EUA é apontado como líder de facções, mas versão é contestada

Autoridades americanas falam em ex-chefe do crime organizado, enquanto investigadores brasileiros dizem não reconhecer esse papel

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) prendeu um brasileiro apontado pelas autoridades americanas como ex-líder das facções PCC e Comando Vermelho (CV). A detenção ocorreu no dia 5 de junho, em Mooresville, na Carolina do Norte, após uma perseguição policial.

O homem foi identificado como Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), ele estava em situação migratória irregular, tinha antecedentes criminais e era alvo de um mandado internacional da Interpol, solicitado pelo Brasil por associação criminosa e extorsão.

A prisão aconteceu durante uma abordagem de trânsito. De acordo com o relato oficial, Dell Aquilla tentou fugir com o veículo, colidiu com carros parados e ainda tentou escapar a pé, sendo capturado pouco depois.

As autoridades americanas afirmam que o brasileiro mantinha a própria esposa contra a vontade enquanto tentava fugir para o México. A informação foi confirmada pela mulher em depoimento, segundo o ICE.

Durante a operação, agentes apreenderam:

  • celulares e laptops
  • dinheiro em espécie
  • uma pistola calibre 9 mm

Ele foi encaminhado para uma prisão local e passou a responder por fuga para evitar detenção, além de possíveis acusações federais, como posse ilegal de arma por estrangeiro e sequestro.

A prisão ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras.

Para o agente especial Mark M. Zito, responsável pela operação, a detenção demonstra o esforço das autoridades em combater o crime internacional.

“Esta prisão demonstra o compromisso inabalável do HSI em proteger nossas comunidades de criminosos internacionais perigosos”, afirmou.

Apesar da gravidade das acusações, a caracterização de Dell Aquilla como líder de facções não é consenso entre autoridades brasileiras.

Investigadores da Polícia Federal, dos Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de órgãos de inteligência, afirmaram não reconhecer o suspeito como integrante relevante do PCC ou do CV.

Segundo apuração, o mandado internacional contra ele está ligado a uma condenação por extorsão, com pena de nove anos e sete meses de prisão, e a outros processos por crimes como estelionato e ameaça.

Há também registros de investigações que indicam possíveis ligações indiretas com integrantes de facções, mas sem confirmação de posição de liderança.

Documentos apontam que Dell Aquilla já esteve envolvido em casos como:

  • golpe contra hotel de luxo em Campos do Jordão
  • acusações de agressão e ameaça
  • suspeitas de movimentações financeiras ligadas a organizações criminosas

Ainda assim, fontes brasileiras destacam que essas investigações não o colocam como figura central nas facções.

A prisão ocorre em meio a um cenário de maior rigor dos Estados Unidos contra organizações criminosas internacionais, especialmente após a nova classificação das facções brasileiras.

O caso agora avança na Justiça americana, enquanto permanece a divergência entre as versões apresentadas por autoridades dos dois países.

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