O senador Flávio Bolsonaro oficializou neste sábado (25) sua candidatura à Presidência da República durante um evento realizado em São Paulo. Em seu discurso, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro “vai subir a rampa do Planalto” em janeiro de 2027.
A convenção reuniu lideranças políticas, apoiadores e convidados internacionais, além de mensagens gravadas de aliados, em um momento marcado por desafios políticos para a pré-campanha.
A cerimônia ocorreu no estádio do Pacaembu, fora da base eleitoral de Flávio, no Rio de Janeiro.
Entre os destaques esteve a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, que compareceu presencialmente e discursou por cerca de meia hora.
Já Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, participou por meio de um vídeo.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu ao evento. Em uma mensagem gravada, justificou sua ausência e declarou apoio ao enteado.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura”, disse ela, após afirmar que Jair Bolsonaro é “o grande líder” e acrescentar:
“O meu galego não pode estar com vocês, eu também não posso porque estou em casa cuidando dele.”
Confira Milei com Flavio Bolsonaro:
ELEIÇÕES 2026 | Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dança com o presidente da Argentina, Javier Milei, durante Convenção do PL
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🎦Jonas Santana/Folhapress pic.twitter.com/KGsal6xhDk
— Folha de S.Paulo (@folha) July 25, 2026
Flávio Bolsonaro promete retorno de Jair Bolsonaro ao Planalto
Após o discurso da esposa, Fernanda Bolsonaro, Flávio iniciou sua fala já no início da tarde para uma plateia reduzida em relação ao início do evento. O senador agradeceu à família, mencionou a mãe, Rogéria Bolsonaro, e afirmou que pretende “resgatar o Brasil”.
Em um dos momentos centrais da convenção, emocionou-se ao agradecer ao pai e declarou: “Deus queira que nunca vocês tenham um pai perseguido como ele está sendo”.
Flávio também criticou decisões do Judiciário brasileiro, embora em tom menos incisivo que outros participantes do evento.
Em seguida, afirmou que usava um colete à prova de balas sob a camisa e reforçou sua promessa eleitoral: “Em janeiro de 2027 Jair Bolsonaro vai subir a rampa do Planalto”.
Jair Bolsonaro também enviou uma mensagem em vídeo aos apoiadores. “Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país”, afirmou.
Milei faz críticas ao STF e associa candidatura à direita regional
O presidente argentino Javier Milei foi um dos principais convidados da convenção. Durante seu pronunciamento em espanhol, criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca” ao comentar a negativa de um pedido de visita a Jair Bolsonaro.
Milei também defendeu sua política econômica, criticou o socialismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e programas sociais.
“Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de ‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”, afirmou.
Milei ainda acusou Lula de financiar “campanha anti-Argentina”.
Segundo o presidente argentino, a candidatura de Flávio Bolsonaro faria parte de uma transformação política em curso na América Latina, marcada, segundo ele, pelo fortalecimento de governos alinhados à direita.
Confira a fala de Milei:
🇦🇷🗣Milei ataca Lula em discurso na convenção do PL em São Paulo
👉 O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste sábado (25), durante discurso na Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), no estádio do Pacaembu, em São Paulo, que não conseguiu autorização para… pic.twitter.com/D7GpL9xoNz
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) July 25, 2026
Itamaraty convoca embaixador argentino para esclarecimentos após declarações Milei
O Ministério das Relações Exteriores convocou, na tarde deste domingo (26), o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante um evento político realizado no sábado (25), em Brasília.
De acordo com o Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira manifestou a insatisfação do governo brasileiro com o discurso de Milei, classificando como inaceitáveis as críticas dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às instituições democráticas brasileiras, ao Poder Judiciário e ao povo do país.
Em nota oficial, o ministério afirmou que a atitude do presidente argentino não encontra precedentes na relação entre os dois países, destacando que Brasil e Argentina mantêm mais de dois séculos de cooperação diplomática e comercial.
O texto também ressalta que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e considera o episódio “especialmente lamentável”.
Além de expressar o descontentamento do governo brasileiro, Mauro Vieira solicitou explicações formais sobre a conduta de Milei em território nacional.
No âmbito diplomático, a convocação de um embaixador é um instrumento utilizado para demonstrar desagrado diante de ações ou declarações de outro país e para solicitar esclarecimentos oficiais.
Também neste domingo (26), o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas.
A medida é considerada significativa nas relações internacionais, pois sinaliza que o governo brasileiro busca avaliar a situação diretamente com seu representante diplomático diante de um episódio interpretado como hostil.
Aliados participam do evento enquanto campanha enfrenta desafios
Além de Milei, o evento contou com vídeos enviados pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e pelos irmãos Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. O filho mais novo do ex-presidente, Jair Renan Bolsonaro, participou presencialmente.
Também discursaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Apesar da demonstração de apoio, a candidatura enfrenta obstáculos políticos.
Republicanos e MDB ainda não oficializaram apoio ao projeto presidencial do PL, enquanto a federação União Progressista optou por liberar seus diretórios estaduais para decidirem seus posicionamentos eleitorais.
Além das dificuldades para formar uma coligação, Flávio Bolsonaro voltou a ser citado em reportagens relacionadas ao caso do Banco Master.
O senador afirma que não cometeu irregularidades e nega envolvimento em qualquer prática ilícita.



