PEC do fim da escala 6×1 entra em semana decisiva na Câmara

Proposta prevê redução da carga horária e enfrenta disputa sobre regras de transição entre governo e setor produtivo

A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) entra em uma semana decisiva na Câmara dos Deputados.

O relator do texto, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar na quarta-feira (20) a primeira versão do parecer, consolidando as negociações feitas nas últimas semanas.

O modelo em discussão prevê a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, além da adoção de dois dias de descanso, sem corte salarial.

A proposta funciona como um regramento geral, deixando ajustes mais específicos para legislação posterior.

O debate mais sensível gira em torno da forma como a mudança será implementada.

Entre as possibilidades em discussão estão:

  • redução gradual de 1 a 2 horas por ano
  • aplicação imediata da nova carga horária
  • modelos híbridos de adaptação

Setores produtivos pressionam por um período mais longo de transição, enquanto a base governista defende mudanças mais rápidas, embora já admita negociações para um cronograma escalonado.

Antes da apresentação do relatório, Leo Prates deve se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o presidente da comissão especial, Alencar Santana, para alinhar os últimos ajustes.

Um dos pontos já encaminhados é que categorias com jornadas específicas não serão tratadas diretamente na PEC, mas sim em projetos de lei complementares.

A proposta ganhou ritmo acelerado dentro da Câmara, impulsionada pela cúpula da Casa, que tenta votar o texto ainda em maio.

O cronograma previsto é:

  • 20 de maio: apresentação do parecer
  • 26 de maio: votação na comissão especial
  • 27 de maio: análise no plenário

Para garantir esse prazo, Hugo Motta determinou sessões extras, encurtando o tempo para apresentação de emendas.

Ao longo da semana, a comissão deve realizar debates com representantes de:

  • sindicatos patronais
  • centrais trabalhistas

Também estão previstos seminários em capitais como Manaus, Belo Horizonte e Florianópolis, ampliando a pressão de diferentes setores sobre o texto final.

Além do impacto econômico, a PEC carrega forte componente político.

A intenção de votação ainda em maio coincide com o período simbólico do Dia do Trabalhador e reforça o interesse do Congresso em avançar com pautas de alto apelo popular antes do calendário eleitoral.

O desfecho das negociações nesta semana deve definir não apenas o conteúdo da proposta, mas também sua viabilidade política nas próximas etapas.

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