A Organização das Nações Unidas (ONU) enviou um pedido oficial ao governo brasileiro exigindo esclarecimentos sobre o caso de Sônia Maria de Jesus, de 51 anos, resgatada em 2022 após viver 40 anos em situação análoga à escravidão na casa do desembargador Jorge Luiz de Borba, em Florianópolis (SC).
Negra, cega de um olho, surda e não alfabetizada, Sônia foi submetida desde a infância a trabalho doméstico forçado, sem direito a salário, educação ou convivência familiar.
A denúncia chocou o país e ganhou repercussão internacional, mobilizando órgãos de defesa de direitos humanos.
ONU classifica caso como escravidão moderna
O posicionamento da ONU foi firmado por cinco Relatorias Especiais que tratam de temas como tráfico humano, escravidão moderna, racismo, violência de gênero e direitos de pessoas com deficiência.
O documento classifica a situação de Sônia como uma das formas mais graves de violação de direitos fundamentais, destacando que o Brasil tem obrigações legais internacionais de proteger suas cidadãs contra esse tipo de abuso.
Além disso, a ONU reconheceu que os seis irmãos de Sônia também foram vítimas indiretas, já que passaram décadas afastados do convívio com ela, o que caracteriza violência psicológica e social.
O governo respondeu à solicitação da ONU dentro do prazo estipulado, apresentando informações sobre o andamento das investigações e as medidas jurídicas aplicadas ao caso.
O processo contra o desembargador Jorge Luiz de Borba segue em tramitação na Justiça, e a situação de Sônia é acompanhada por órgãos de assistência social e programas de reparação.
Fontes ligadas ao caso afirmam que a mulher hoje recebe apoio psicológico, acompanhamento médico e auxílio para alfabetização, em uma tentativa de reconstruir sua autonomia e dignidade após décadas de exploração.
O episódio reforça o debate sobre a persistência da escravidão moderna no Brasil, sobretudo em contextos de trabalho doméstico.
Dados do Ministério do Trabalho apontam que mais de 2,5 mil pessoas foram resgatadas de condições semelhantes apenas nos últimos cinco anos.
Especialistas ressaltam que casos como o de Sônia expõem o racismo estrutural e a vulnerabilidade de mulheres negras em situação de pobreza, muitas vezes submetidas a ciclos de exploração que atravessam gerações.



