Áudios obtidos em investigação da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam uma suposta negociação de cargos públicos na área da Educação com pessoas ligadas ao tráfico de drogas no interior do estado.
As gravações envolvem o deputado estadual Thiago Rangel, aliado político do governador Cláudio Castro, e familiares de um dos principais nomes do Terceiro Comando Puro (TCP) na região de Campos dos Goytacazes.
Nos registros, Gleice Maria Batista da Silva, irmã de Arídio Machado (conhecido como Júnior do Beco), cobra diretamente do parlamentar o cumprimento de uma promessa de indicação para um cargo público.
Segundo os investigadores, a conversa sugere que vagas em escolas estaduais teriam sido oferecidas a pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Vagas na Educação como moeda de negociação
Relatórios da Polícia Federal indicam que o deputado teria articulado a distribuição de cargos de auxiliar de serviços gerais na Secretaria de Educação do estado.
Uma troca de mensagens citada na investigação aponta que:
- havia oito vagas disponíveis
- parte delas seria destinada a indicações feitas por Júnior do Beco
- o contato do traficante foi repassado diretamente a um assessor
De acordo com a PF, o parlamentar solicitou que o assessor entrasse em contato com o líder do TCP para definir os nomes que ocupariam as funções.
Quem é Júnior do Beco
Arídio Machado, o Júnior do Beco, foi condenado por tráfico de drogas e homicídio e é apontado como um dos chefes do TCP na região de Guarus, em Campos dos Goytacazes.
Investigações da Polícia Civil indicam que ele e o irmão atuavam como líderes da facção, com envolvimento em homicídios e expansão territorial do tráfico.
O deputado Thiago Rangel foi preso no início de maio em uma operação da Polícia Federal que investiga esquemas de influência política, distribuição de cargos e possíveis desvios de recursos públicos.
A ação é um desdobramento de investigações anteriores que já apuravam relações entre agentes públicos e organizações criminosas no estado.
A defesa do parlamentar nega irregularidades e afirma que ele irá prestar esclarecimentos no curso do processo.
O caso amplia a apuração sobre possíveis conexões entre estruturas do poder público e grupos criminosos no Rio de Janeiro.
As autoridades investigam se a indicação de cargos teria sido usada como mecanismo de influência e fortalecimento territorial de facções, além de possíveis impactos na gestão de recursos e serviços públicos.


