Um novo relatório em análise pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que a morte de JK pode não ter sido resultado de um acidente, como sustentado oficialmente por décadas, mas sim de uma ação ligada ao regime militar brasileiro.
O documento, com mais de 5 mil páginas, foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e contesta a versão de que o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de trânsito na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976.
De acordo com o parecer, o veículo em que JK estava não teria sofrido uma colisão inicial com um ônibus, ponto central da versão oficial da época. Em vez disso, a análise sustenta que houve uma interferência externa que fez o carro sair da pista, cruzar a via e colidir com uma carreta.
A hipótese apresentada indica que o episódio pode ter sido um atentado político, atribuído ao contexto da repressão durante a ditadura militar.
A versão divulgada à época afirmava que o carro, dirigido por Geraldo Ribeiro, teria sido atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem, o que levou à perda de controle e à colisão fatal.
O novo relatório afirma que não há indícios técnicos dessa primeira batida, o que fragilizaria a explicação oficial do acidente.
O documento também leva em consideração apurações realizadas ao longo das últimas décadas. Entre elas, um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal entre 2013 e 2019, que identificou inconsistências na versão original, embora tenha concluído que não era possível confirmar nem descartar um atentado.
Além disso, comissões estaduais da Verdade, como as de São Paulo e Minas Gerais, já haviam apontado a possibilidade de sabotagem no veículo ou até disparos de arma de fogo como causa da morte.
Apesar das novas conclusões, o relatório ainda está sob análise dos conselheiros da comissão federal e não tem data definida para votação.
Criada em 1995, a comissão tem como função reconhecer vítimas da repressão política e revisar casos ligados ao período da ditadura.
A morte de Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil entre 1956 e 1961 e ficou marcado pelo lema “50 anos em 5”, sempre foi cercada de dúvidas.
Cassado após o golpe de 1964, JK morreu em circunstâncias que nunca foram totalmente esclarecidas e que agora voltam ao centro do debate histórico com a análise do novo relatório.


