Ministros Lewandowski e Haddad sinalizam saída do governo Lula; Entenda!

Movimentos no Ministério da Justiça e na Fazenda indicam transição iminente e reacendem debate sobre criação do Ministério da Segurança Pública

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enfrentar, nas próximas semanas, uma reconfiguração relevante em sua equipe ministerial.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comunicaram ao Planalto a intenção de deixar seus cargos, o que abre espaço para transições internas e possíveis mudanças estruturais no governo.

Lewandowski pretende deixar o Ministério da Justiça ainda nesta semana

Lewandowski informou a auxiliares que deseja se desligar do cargo até esta sexta-feira, 9 de janeiro.

A última participação pública como ministro pode ocorrer no evento que relembra os atos golpistas de 8 de janeiro, organizado pelo Palácio do Planalto. Antes do anúncio oficial, ele pretende se reunir com o presidente Lula.

Segundo um integrante da pasta, o momento da saída é “um timing que ele vai decidir com o presidente”.

A avaliação interna é que o núcleo duro do Ministério da Justiça deve permanecer para garantir a transição administrativa.

O secretário-executivo Manoel Carlos é apontado como responsável por conduzir o processo e pode assumir o comando interinamente ainda neste mês.

Projetos pendentes devem avançar durante a transição

Antes de deixar o governo, o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, pretende lançar iniciativas em fase final de elaboração.

Entre elas estão a criação de um centro de inteligência e operações conjuntas em cidades de fronteira da Amazônia e um projeto para integrar órgãos federais e estaduais no combate ao tráfico de armas e munições.

Já o secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, afirmou que pode permanecer no cargo até a aprovação da PEC da Segurança Pública e do PL Antifacção, considerados os principais projetos da atual gestão.

“Nós não vamos sair juntos. Tem projetos que serão discutidos no começo deste ano e pretendemos ajudar nessa discussão. A minha prioridade é a reeleição do presidente Lula”.

A expectativa é que as propostas sejam analisadas pelo Congresso logo após o fim do recesso parlamentar.

Avaliação política e motivos pessoais pesaram na decisão

No Palácio do Planalto, há o entendimento de que o debate sobre segurança pública, tema central para as eleições de 2026, exigirá um ministro com perfil mais político e combativo.

Ex-magistrado e ex-ministro do STF, Lewandowski foi escolhido inicialmente por seu estilo conciliador.

Questões familiares também influenciaram a decisão. Desde o convite para assumir a pasta, familiares teriam demonstrado resistência.

Em entrevista concedida no fim do ano passado, o ministro de 77 anos de idade afirmou que seria “ministro dos seus netos”. Ele também tem dito que deixa o cargo com a sensação de “missão cumprida”.

Outro ponto de incômodo foi o anúncio de Lula sobre a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça:

“Nunca quis discutir segurança pública porque a Constituição não dá ao governo o direito de interferir. Depois que aprovar a PEC da Segurança, vamos criar o Ministério da Segurança Pública”.

A conversa definitiva sobre a saída ocorreu em 23 de dezembro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Na ocasião, Lula pediu tempo para escolher um substituto e afirmou que a decisão não afetaria a relação pessoal entre ambos.

Balanço da gestão Lewandowski

Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, após a saída de Flávio Dino, indicado ao STF na vaga aberta com a aposentadoria de Rosa Weber.

Entre os principais pontos da gestão estão:

  • Elaboração da PEC da Segurança Pública, que busca constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP);

  • Implementação do novo decreto de armas, transferindo a fiscalização de CACs do Exército para a Polícia Federal;

  • Reforço da segurança nos presídios federais após a fuga em Mossoró;

  • Coordenação do apoio federal ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024;

  • Acompanhamento da conclusão do inquérito sobre o caso Marielle Franco.

Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Haddad confirma saída do Ministério da Fazenda em fevereiro

No Ministério da Fazenda, Fernando Haddad confirmou que pretende deixar o cargo em fevereiro.

Em conversa com jornalistas, afirmou que deseja colaborar com a campanha de reeleição de Lula em 2026, o que considera incompatível com a função atual.

“Em primeiro lugar, manifestei o desejo de colaborar com a campanha do presidente Lula, e isso é incompatível com os requisitos da Fazenda. Não tem como colaborar com a campanha [eleitoral de 2026] no cargo de ministro da Fazenda”

Apesar de a legislação permitir que ministros deixem o cargo até abril de 2026, Haddad explicou que prefere antecipar a saída para garantir continuidade administrativa, incluindo:

  • A preparação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas de março;

  • A elaboração do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que deve ser enviado ao Congresso até 15 de abril.

Ele destacou que aguardou a aprovação da LDO de 2026 e do projeto que reduz incentivos fiscais antes de formalizar a decisão.

“Tomei muito cuidado de falar do meu futuro depois de aprovada a LDO e depois de aprovadas as medidas necessárias para garantir um Orçamento consistente com a LDO”.

Sucessões e reorganização ministerial no radar do Planalto

A expectativa no Ministério da Fazenda é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma interinamente.

No campo político, aliados avaliam que Haddad pode disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado.

Com as sinalizações de saída, Lula deve tratar como prioridade a reorganização da equipe ministerial.

A possível criação do Ministério da Segurança Pública, defendida por setores do PT e já existente durante o governo Michel Temer, voltou ao centro do debate.

A mudança pode abrir novas frentes de articulação política e influenciar decisões futuras, incluindo indicações ao STF e ajustes estratégicos para o ciclo eleitoral de 2026.

Enquanto isso, o presidente deve se reunir ao longo de janeiro com outros ministros que pretendem disputar eleições e precisam deixar os cargos até abril, buscando alinhar prazos e transições sem impacto na gestão federal.

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