Um azeite brasileiro alcançou um feito raro no cenário internacional. O Estância das Oliveiras Frantoio, produzido no Rio Grande do Sul, foi eleito o melhor azeite do mundo ao conquistar a pontuação máxima (100/100) no European International Olive Oil Competition (EIOOC) 2026, realizado na Suíça.
A premiação “Best in Show” colocou o rótulo gaúcho no topo entre mais de 200 marcas de países tradicionalmente dominantes no setor, como Espanha, Itália, Grécia e França.
Segundo a organização, a nota perfeita é extremamente incomum, e a decisão do júri internacional foi unânime.
O reconhecimento foi destacado pelo presidente do concurso, que classificou o azeite brasileiro como parte da “elite mundial dos extra virgens”, ressaltando o equilíbrio sensorial e a ausência de defeitos no produto.
Produzido em Viamão, a cerca de 28 km de Porto Alegre, o azeite vem de uma fazenda familiar, a Estância das Oliveiras, que já vinha acumulando reconhecimento internacional.
Em 2025, a marca já havia sido apontada como a 3ª mais premiada do mundo no ranking global do setor. Desde 2019, soma mais de 250 prêmios internacionais.
De acordo com os produtores, o diferencial está na complexidade de sabores sem defeitos, critério central nas avaliações.
Enquanto azeites considerados excelentes costumam apresentar até sete notas sensoriais, o rótulo brasileiro chega a registrar entre 12 e 14 notas diferentes, como:
- ervas frescas
- amêndoa
- frutas como maçã e pêssego
- leve picância
Essas características não são adicionadas artificialmente, mas resultam do chamado terroir, combinação de clima, solo, temperatura e manejo agrícola.
Outro ponto decisivo é o processo de produção: na fazenda, o tempo entre a colheita e a extração do azeite é de apenas duas a três horas, o que preserva qualidade e frescor.
A história da Estância das Oliveiras começou de forma pouco ambiciosa. O fundador, Lucídio Goelzer, decidiu produzir azeite após se frustrar com a qualidade dos produtos disponíveis no Brasil.
O projeto começou como algo voltado ao consumo da própria família, mas evoluiu com investimento em pesquisa e plantio na região de Viamão, que acabou se mostrando altamente favorável à olivicultura.
Com o tempo, a produção ganhou escala, profissionalização e reconhecimento, até atingir o ponto mais alto em 2026.
A conquista reforça o papel do Rio Grande do Sul como principal polo de azeites de qualidade no país.
O resultado também reposiciona o Brasil em um mercado historicamente dominado por países europeus, mostrando que o país já consegue competir em nível máximo de exigência técnica e sensorial.


