Currículos são usados para embalar pedido e expõem dados pessoais de candidatos

Caso envolvendo loja do interior de SP levanta debate sobre privacidade e cumprimento da LGPD

Uma entrega comum virou motivo de debate nas redes sociais após um consumidor receber um pedido embalado com currículos de candidatos, contendo dados pessoais. O caso envolve a loja Doces Biba, que comercializa produtos pela plataforma Mercado Livre.

O episódio ganhou repercussão após o comprador relatar a situação na rede social X, em uma publicação que ultrapassou 50 mil curtidas. Segundo ele, ao abrir a encomenda, encontrou cerca de 32 currículos impressos utilizados como material de proteção do produto.

Nas imagens divulgadas, mesmo com parte das informações ocultadas, ainda era possível identificar dados como:

  • Experiência profissional

  • Escolaridade

  • Objetivos de carreira

A situação levantou questionamentos sobre o uso indevido de documentos pessoais e possíveis violações da legislação de proteção de dados.

Em nota, a Doces Biba afirmou que o caso foi resultado de uma falha grave no processo interno de descarte de documentos.

A empresa declarou que:

  • Entrou em contato com o cliente para recolher os materiais

  • Vai buscar os candidatos afetados para pedir desculpas

  • Suspendeu temporariamente os envios

  • Iniciou auditoria interna nos processos

A direção também informou que pretende reforçar o treinamento da equipe e revisar os protocolos para garantir conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

O uso de currículos (documentos que contêm informações pessoais) como material de embalagem pode configurar violação de princípios da LGPD, que exige:

  • Consentimento para uso de dados

  • Finalidade específica no tratamento das informações

  • Proteção contra exposição indevida

Especialistas apontam que, mesmo em casos de erro, empresas podem ser responsabilizadas por falhas na gestão de dados sensíveis.

O Mercado Livre foi procurado para esclarecer se há diretrizes específicas para embalagens utilizadas por vendedores parceiros, especialmente no que diz respeito ao uso de materiais com dados pessoais.

Até a última atualização, a empresa não havia se pronunciado.

O caso reacendeu discussões sobre boas práticas no tratamento de dados e responsabilidade de pequenas e médias empresas no ambiente digital.

Além da falha operacional, a situação expõe um ponto sensível: a distância entre a coleta de dados e o controle efetivo sobre seu descarte, etapa frequentemente negligenciada nos processos internos.

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