A Anvisa informou nesta quarta-feira (13) que identificou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca Ypê durante uma inspeção realizada na fábrica da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.
A vistoria ocorreu na última semana de abril de 2026 e foi conduzida em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo.
Segundo a agência, a fiscalização detectou 76 irregularidades no processo produtivo da empresa. Entre os problemas encontrados estão falhas relacionadas à qualidade microbiológica dos produtos, deficiência no controle de materiais de embalagem e inconsistências nos sistemas de garantia da qualidade.
A constatação embasou a publicação da Resolução nº 1.834/2026, divulgada em 5 de maio, que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca com numeração final 1.
Até então, a presença da bactéria havia sido informada apenas pela própria fabricante, que relatou ter identificado o microrganismo em lotes de lava-roupas em novembro de 2025.
Esta é a primeira vez que a Anvisa confirma oficialmente a contaminação em produtos da marca.
Irregularidades e análise do recurso
A Diretoria Colegiada da Anvisa adiou para sexta-feira (15), às 9h30, a análise do recurso apresentado pela Química Amparo contra a decisão que determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação dos produtos.
De acordo com a agência, reuniões técnicas estão sendo realizadas entre a Anvisa e a empresa para definir medidas de mitigação do risco sanitário identificado.
A fabricante informou ter intensificado ações corretivas e prometeu apresentar um novo plano de adequação.
Em nota, a Ypê afirmou que os lotes identificados em não conformidade foram apresentados à equipe de fiscalização como parte dos procedimentos internos de controle da empresa.
“Esses lotes ficam em quarentena e, em caso de confirmação de não conformidade, são devidamente destruídos”, declarou a fabricante.
A Anvisa reforçou a orientação para que consumidores não utilizem os produtos listados na resolução e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para obter orientações.
Do que se trata a bactéria encontrada?
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum em ambientes úmidos, como água, solo e superfícies molhadas.
O microrganismo é considerado oportunista, podendo representar maior risco para pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Entre os grupos mais vulneráveis estão pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas com HIV/aids sem controle adequado, usuários de medicamentos imunossupressores, além de idosos fragilizados e bebês.
Segundo a Anvisa, as irregularidades identificadas comprometem as chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes, conjunto de normas obrigatórias para garantir segurança e qualidade dos produtos comercializados no país.
A agência também informou ter recebido 1.474 interações de consumidores entre os dias 7 e 8 de maio relacionadas aos produtos Ypê sob recolhimento.
Além disso, 75 denúncias foram registradas até 12 de maio, incluindo reclamações sobre o funcionamento do SAC e relatos de comercialização dos itens durante o período de restrição.


