Alunos são suspensos após conteúdo misógino e menções a Epstein em escola

Caso envolvendo estudantes de 14 e 15 anos gerou protesto, mobilização escolar e debate sobre violência digital e comportamento entre jovens

Um caso de misoginia no colégio São Domingos levou à suspensão de alunos após a circulação de mensagens ofensivas em grupos de WhatsApp. A instituição, localizada em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, confirmou que estudantes do 9º ano, com idades entre 14 e 15 anos, foram punidos após a descoberta do conteúdo.

Segundo a escola, três alunos foram suspensos por criar uma lista com teor misógino e ofensivo contra colegas, enquanto outros dois foram punidos por compartilhar figurinhas relacionadas ao financista Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais envolvendo menores.

O caso veio à tona após alunas identificarem a existência de uma lista criada meses antes e passarem a questionar colegas no grupo geral da turma.

De acordo com relatos de estudantes e pais, o conteúdo incluía:

  • Avaliações de meninas com base em atributos físicos

  • Classificações com conotação sexual

  • Termos considerados ofensivos e degradantes

A escola não confirmou o conteúdo específico, mas afirmou que as mensagens eram “de caráter misógino e em desacordo com os valores da instituição”.

Os alunos envolvidos negam o uso de termos mais graves mencionados por colegas, mas admitem que o material tinha conotação sexual.

Diante da repercussão, o colégio informou que adotou uma série de ações para lidar com o episódio.

Entre as medidas estão:

  • Suspensão temporária dos estudantes envolvidos

  • Acolhimento das alunas afetadas

  • Conversas com famílias

  • Discussões em sala de aula sobre o tema

  • Criação de grupo de trabalho para acompanhamento do caso

A direção afirmou que busca conduzir a situação com responsabilidade, sensibilidade e sigilo.

O episódio provocou mobilização dentro da escola. Estudantes do 2º ano do ensino médio organizaram um protesto em que participantes se vestiram de roxo, cor associada à luta por igualdade de gênero.

Além disso, reuniões com pais foram realizadas para discutir o caso e propor ações conjuntas.

Segundo comunicado da escola, há a intenção de criar iniciativas voltadas ao enfrentamento de:

  • Violência digital

  • Conteúdos nocivos nas redes

  • Banalização de discursos ofensivos

O pai de um dos alunos afirmou que o filho reconheceu o erro e pediu desculpas às colegas. Segundo ele, o adolescente está afastado das atividades, sob acompanhamento psicológico e com receio de sofrer represálias.

A família destacou que o conteúdo foi produzido anteriormente e apagado, mas voltou a circular recentemente.

O caso reacende discussões sobre o uso de redes sociais por adolescentes e a disseminação de conteúdos ofensivos em ambientes digitais.

Especialistas apontam que situações como essa refletem desafios mais amplos ligados à:

  • Educação digital

  • Responsabilidade no uso da internet

  • Construção de valores em ambiente online

A direção do colégio afirmou que a comunidade escolar está tratando o episódio como um sinal de alerta para fortalecer o diálogo e ações educativas.

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