Terapia combinada elimina câncer de pâncreas em testes com animais, aponta estudo

Pesquisa publicada na PNAS mostra regressão total de tumores pancreáticos em camundongos e ausência de resistência ao tratamento

Uma combinação tripla de medicamentos conseguiu eliminar completamente tumores de câncer de pâncreas em testes com animais, segundo um estudo recente conduzido por cientistas espanhóis.

A estratégia resultou não apenas na regressão total dos tumores, mas também na prevenção da resistência ao tratamento, um dos maiores desafios da oncologia moderna.

O trabalho foi publicado em dezembro de 2025 na revista científica PNAS e teve como líder o pesquisador Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO).

Resultados observados nos testes laboratoriais

De acordo com os pesquisadores, os tumores pancreáticos desapareceram entre três e quatro semanas em diferentes modelos de camundongos utilizados no experimento.

Mesmo após mais de 200 dias sem qualquer tipo de tratamento, os animais permaneceram livres da doença e não apresentaram sinais de toxicidade associados à terapia.

Os dados indicam que a abordagem conseguiu atuar de forma eficaz e duradoura, interrompendo o crescimento tumoral sem provocar efeitos colaterais relevantes nos modelos analisados.

Como funciona a combinação de medicamentos

A terapia testada reúne três compostos que atuam de maneira complementar sobre mecanismos-chave do câncer de pâncreas:

  • Um dos medicamentos tem como alvo o oncogene KRAS, considerado o principal fator genético associado ao desenvolvimento desse tipo de tumor;

  • Os outros dois compostos agem sobre as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas em vias de sinalização essenciais para a progressão tumoral.

Segundo o estudo, o bloqueio simultâneo dessas rotas foi determinante para impedir tanto o crescimento das células cancerígenas quanto o surgimento de resistência ao tratamento.

O que é o câncer de pâncreas?

O pâncreas é um órgão localizado na região abdominal, atrás do estômago, entre o intestino delgado e o baço.

Ele desempenha funções essenciais, como a produção de insulina e de enzimas digestivas responsáveis pela quebra de gorduras. Anatomicamente, divide-se em cabeça, corpo e cauda.

O câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce.

O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos.

Dados sobre a doença no Brasil

Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, devido ao seu comportamento agressivo e à dificuldade de detecção precoce.

No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, representando cerca de 1% dos diagnósticos.

Apesar disso, responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer no país.

Em números absolutos, o Inca estima que, em 2020, o câncer de pâncreas causou 5.882 mortes entre homens e 6.011 entre mulheres, figurando como o 7º mais letal para homens e o 5º para mulheres.

Próximos passos da pesquisa

Apesar dos resultados positivos em laboratório, os cientistas ressaltam que a terapia ainda está em fase experimental.

O próximo passo envolve o aperfeiçoamento das substâncias, para que possam ser avaliadas com segurança em ensaios clínicos com humanos.

Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é que a regressão tumoral ocorreu sem o auxílio do sistema imunológico, o que sugere potencial eficácia também em pacientes com imunidade comprometida.

A equipe afirma que a adaptação da terapia para uso clínico não será fácil, mas avalia que os achados abrem caminho para novas estratégias terapêuticas e futuros estudos voltados à melhoria da sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie sua notícia!

Participe do OCorre enviando notícias, fotos ou vídeos de fatos relevantes.
Preencha o formulário abaixo e, após verificação de nossa equipe, seu conteúdo poderá ser publicado.