SUS amplia tratamento para pacientes com ELA em estágio inicial

Novo medicamento será ofertado na rede pública em até 180 dias para adultos com esclerose lateral amiotrófica nos estágios iniciais

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar a edaravona para o tratamento de adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágio inicial.

A medida foi oficializada pelo Ministério da Saúde em portaria publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (21), e estabelece prazo de até 180 dias para que a terapia esteja disponível na rede pública.

O medicamento será destinado a pacientes com a doença nos graus 1 e 2, com diagnóstico de até dois anos.

A incorporação amplia as opções terapêuticas disponíveis para pessoas diagnosticadas com ELA, uma doença neurodegenerativa que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo.

Embora ainda não exista cura, os tratamentos disponíveis buscam retardar a progressão da enfermidade, preservar funções motoras por mais tempo e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Segundo a portaria, caberá às áreas técnicas do Ministério da Saúde implementar a oferta da nova terapia dentro do prazo estabelecido.

Edaravona amplia tratamento da ELA no SUS

A edaravona passa a integrar os tratamentos específicos oferecidos pelo SUS para pacientes com ELA.

Até então, o único medicamento aprovado para esse fim era o riluzol, utilizado para retardar a evolução da doença e prolongar a sobrevida em alguns meses.

De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão do novo medicamento busca reduzir o ritmo de progressão da doença quando administrado nos estágios iniciais.

Um estudo publicado em 2022 na revista científica ‘The Lancet’ apontou que o uso da edaravona pode aumentar em aproximadamente seis meses a sobrevida de pacientes com ELA.

A pesquisa também observou redução do risco de morte entre os participantes avaliados.

Confira na imagem abaixo uma comparação entre neurônio motor normal, à esquerda, e de um caso de ELA, à direita:

Neurônios - pessoa com ELA
Foto: Anatpat/Unicamp

Doença provoca perda progressiva dos movimentos

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença degenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo.

Com a evolução do quadro, ocorre perda progressiva do controle muscular, enquanto, nas fases iniciais, as funções intelectuais e os sentidos geralmente permanecem preservados.

O diagnóstico costuma ser complexo porque não existe exame laboratorial capaz de identificar um marcador específico da doença.

Conforme as informações divulgadas, o processo de confirmação pode levar cerca de 11 meses.

Entre os primeiros sinais relatados por pacientes estão dificuldades para respirar, alterações na fala, problemas para engolir saliva ou alimentos e perda do controle da musculatura das mãos ou atrofia muscular nas pernas.

Com a progressão da doença, o comprometimento dos músculos respiratórios pode favorecer infecções pulmonares, principal causa de morte associada à ELA.

Estima-se que apenas cerca de 10% dos casos tenham origem genética.

A doença é mais frequente em pessoas entre 50 e 70 anos, sendo considerada rara entre indivíduos mais jovens.

Mesmo sem cura conhecida, especialistas apontam que os tratamentos disponíveis têm como objetivo retardar a evolução da doença, controlar os sintomas e ampliar a sobrevida, oferecendo melhores condições de vida aos pacientes.

Famosos diagnosticados com ELA

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) ganhou maior visibilidade mundial por atingir personalidades conhecidas. Entre elas estão o físico britânico Stephen Hawking, que conviveu com a doença por mais de cinco décadas; o ex-jogador de beisebol norte-americano Lou Gehrig, cuja trajetória deu origem ao nome popular da enfermidade nos Estados Unidos.

Além deles, a cantora Roberta Flack também anunciou o diagnóstico em 2022; e o cantor e compositor brasileiro Moraes Moreira, que conviveu com a doença nos últimos anos de vida.

Mais recentemente, o ator Eric Dane, conhecido por interpretar o cirurgião plástico Dr. Mark Sloan, o “McSteamy”, em ‘Grey’s Anatomy’, morreu em 19 de fevereiro de 2026, aos 53 anos, em decorrência de insuficiência respiratória causada pela ELA.

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