A proximidade do Dia dos Namorados reacende um alerta que vai além do romantismo: o uso indiscriminado de medicamentos para desempenho sexual. A tadalafila, popularizada nas redes sociais como “tadala”, tem sido consumida sem indicação médica, prática que preocupa especialistas e autoridades de saúde.
Indicada originalmente para tratar disfunção erétil, principalmente em homens acima dos 40 anos, a substância virou um fenômeno de consumo entre jovens, impulsionada por promessas de performance e pressão estética. Em 2024, o medicamento foi o 5º genérico mais vendido no Brasil, refletindo essa popularização.
A disseminação do uso fora do contexto médico está ligada à ideia de desempenho máximo, muitas vezes associada a conteúdos virais e relatos informais nas redes.
Segundo especialistas, em homens sem diagnóstico clínico, o efeito tende a ser limitado ou inexistente do ponto de vista fisiológico, funcionando, em muitos casos, como uma espécie de “bengala psicológica”.
Esse uso recreativo, no entanto, pode expor o organismo a riscos desnecessários.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo sem orientação pode provocar efeitos adversos relevantes, especialmente quando há excesso de dose ou combinação com outras substâncias.
Entre os principais riscos estão:
- Infarto e acidente vascular cerebral (AVC)
- Queda de pressão arterial (hipotensão)
- Alterações visuais e perda de visão
- Perda auditiva
- Dependência psicológica
Além disso, um estudo da University of British Columbia aponta que usuários frequentes têm 85% mais risco de desenvolver problemas graves na retina ou no nervo óptico.
Outro fator de preocupação, especialmente em datas como o Dia dos Namorados, é a associação da tadalafila com bebidas alcoólicas.
A mistura pode gerar um efeito paradoxal, reduzindo a resposta do organismo e comprometendo o desempenho esperado. Além disso, potencializa riscos cardiovasculares e pode provocar queda acentuada de pressão.
Embora o medicamento seja seguro quando utilizado corretamente e sob prescrição, o cenário atual preocupa profissionais de saúde pelo uso disseminado sem acompanhamento.
O aumento da demanda em datas comemorativas evidencia um comportamento que mistura pressão social, desinformação e automedicação, combinação que pode transformar um recurso terapêutico em um risco evitável.


