Mais de 20% das crianças e adolescentes no mundo vivem com obesidade ou sobrepeso

Relatório da Federação Mundial de Obesidade aponta crescimento acelerado do problema e alerta para impactos na saúde

Mais de uma em cada cinco crianças e adolescentes em idade escolar vive com obesidade ou sobrepeso no mundo.

A estimativa é da World Obesity Federation (Federação Mundial de Obesidade) e indica que 20,7% das pessoas entre 5 e 19 anos estão nessa condição.

O número representa um aumento em relação a 2010, quando o índice era de 14,6%.

As projeções também indicam que o problema deve crescer nos próximos anos.

Segundo o relatório, o sobrepeso infantil pode ultrapassar a desnutrição globalmente entre 2025 e 2027.

No Brasil, a estimativa é que 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos tenham vivido com obesidade ou sobrepeso em 2025.

Esse número representa menos de 40% da população dessa faixa etária, mas a tendência é de aumento.

A projeção da Federação Mundial de Obesidade indica que mais de 50% dos jovens brasileiros poderão estar nessa condição até 2040.

Impactos da obesidade infantil na saúde

O relatório também aponta consequências diretas para a saúde dessa população.

O excesso de peso está associado ao aumento de casos de:

  • hipertensão

  • hiperglicemia

  • triglicerídeos elevados

  • doença hepática associada à obesidade

Atualmente, estima-se que 7,8 milhões de crianças e adolescentes convivam com essas condições de saúde.

Com o avanço da obesidade infantil, o número pode crescer 15%, chegando a 9 milhões de diagnósticos.

De acordo com o estudo, o crescimento das taxas de obesidade pode provocar uma mudança histórica.

Pela primeira vez, o número de crianças com obesidade deve superar o número de crianças abaixo do peso no mundo.

Esse cenário reflete mudanças no estilo de vida, no ambiente alimentar e no acesso a alimentos ultraprocessados.

O relatório aponta que a obesidade infantil não depende apenas de escolhas individuais.

Entre os fatores de risco identificados estão:

  • sedentarismo

  • alto consumo de bebidas açucaradas

  • exposição precoce a alimentos ultraprocessados

O estudo mostra que mais de 75% dos adolescentes entre 11 e 17 anos não atingem os níveis mínimos recomendados de atividade física.

Outro dado preocupante é o consumo de bebidas açucaradas.

Segundo o levantamento, 74% dos países registram consumo diário acima de 100 ml entre crianças de 6 a 10 anos.

Fatores desde a gestação

O relatório também destaca fatores que podem influenciar a obesidade infantil ainda antes do nascimento.

Entre eles estão:

  • obesidade materna

  • diabetes gestacional

  • tabagismo durante a gravidez

  • aleitamento materno insuficiente

Esses fatores mostram que o problema envolve determinantes biológicos, sociais e ambientais que se estendem ao longo da infância.

Especialistas apontam que políticas públicas podem ajudar a conter o avanço da obesidade infantil.

Entre as medidas consideradas eficazes estão:

  • taxação de bebidas açucaradas

  • restrição de publicidade de alimentos não saudáveis para crianças

  • melhorias na alimentação escolar

  • programas de incentivo à atividade física

Segundo o relatório, no entanto, essas políticas precisam de fiscalização e integração com sistemas de saúde para produzir resultados duradouros.

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