Indústria da beleza cresce em meio à crise e movimenta US$ 440 bilhões no mundo

Relatório da McKinsey aponta mudança de público, estética científica e aquisições bilionárias como motores do crescimento

Enquanto a economia global enfrenta juros elevados e incertezas políticas, a indústria da beleza segue em rota de crescimento acelerado.

Dados da consultoria McKinsey indicam que os gastos globais no setor atingiram US$ 440 bilhões, com um ritmo de expansão cerca do dobro do varejo tradicional.

O desempenho reforça a transformação da beleza de um consumo considerado supérfluo para um mercado central no cotidiano, sustentado por mudanças profundas no perfil do consumidor, na comunicação das marcas e no posicionamento estético dos produtos.

Parte do avanço está ligada à diversificação do público consumidor. Homens passaram a incorporar rotinas de skincare, maquiagem leve e produtos corretivos, quebrando estigmas históricos associados ao segmento.

Ao mesmo tempo, a idade de entrada no mercado caiu drasticamente, impulsionada por crianças e adolescentes influenciados por tendências das redes sociais.

O fenômeno ficou conhecido como Sephora Kids, em referência à rede Sephora, frequentemente associada à popularização precoce de produtos de cuidados com a pele.

Esse novo público também mudou o discurso das marcas. Embalagens coloridas e promessas genéricas deram lugar a:

  • Frascos minimalistas

  • Linguagem técnica e clínica

  • Foco em ativos específicos e eficácia comprovada

A chamada “estética de laboratório” ganhou força ao vender a ideia de resultados profissionais dentro de casa, aproximando o marketing de beleza da lógica da ciência e da dermatologia.

O momento favorável do setor ficou evidente nas recentes movimentações de grandes grupos globais:

  • A e.l.f. Beauty adquiriu a Rhode, fundada pela influenciadora Hailey Bieber, por US$ 1 bilhão

  • A Estée Lauder comprou a The Ordinary por US$ 1,7 bilhão

As aquisições reforçam a aposta em marcas com forte apelo científico, identidade digital consolidada e comunicação direta com consumidores mais jovens.

Por trás do crescimento também está a pressão estética amplificada pelas redes sociais, filtros e padrões visuais disseminados online.

A busca pelo rosto considerado ideal extrapola os cosméticos e impulsiona outro segmento em rápida expansão: o de procedimentos estéticos.

Globalmente, gastos com intervenções como botox e preenchimentos já se aproximam de US$ 150 bilhões, consolidando um ecossistema que vai do skincare doméstico a tratamentos clínicos.

O cenário indica que a indústria da beleza se firmou como um dos setores mais resilientes da economia atual.

Em meio a ajustes fiscais, inflação e instabilidade, o consumo de beleza segue associado a valores como autocuidado, controle, autoestima e pertencimento.

Mais do que uma tendência passageira, o setor reflete uma resposta cultural a um mundo instável e, ao que tudo indica, deve continuar crescendo mesmo quando outros mercados desaceleram.

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