Um projeto brasileiro com inteligência artificial para pacientes com ELA está abrindo novas possibilidades de autonomia para pessoas que perderam os movimentos, mas mantêm as funções cognitivas preservadas.
A iniciativa, em fase beta e com investimento de cerca de R$ 5 milhões, aposta em tecnologia para devolver voz, presença e continuidade profissional a pacientes com a doença.
Desenvolvido a partir de uma parceria entre a Fundação Unimed e a startup WorkAI, o projeto chamado ExtensIA propõe um novo campo de atuação: a IA assistiva de alta complexidade, voltada não apenas à comunicação, mas à preservação do conhecimento e da produção intelectual.
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa rara que provoca a perda progressiva dos movimentos e compromete funções essenciais como fala, locomoção e respiração, frequentemente afastando pacientes da vida acadêmica e profissional.
O diferencial do projeto está na capacidade de manter ativa a produção intelectual de pacientes, mesmo diante da progressão da doença.
O primeiro caso aplicado é o da psiquiatra Maria Inês Quintana, especialista em transtorno de personalidade borderline. Diagnosticada com ELA há quase três anos, ela perdeu completamente a mobilidade, mas continua cognitivamente ativa e, com apoio da tecnologia, retomou suas atividades.
Com o sistema, a médica voltou a lecionar, palestrar e compartilhar conhecimento, mantendo sua atuação acadêmica e clínica.
A estrutura do ExtensIA é dividida em três frentes principais:
- Agente Clínico Assistivo: conjunto de inteligências artificiais treinadas com mais de 30 anos de produção intelectual da especialista
- Avatar Digital Palestrante: recriação da imagem e da voz da paciente, capaz de ministrar aulas e palestras em diferentes idiomas
- Sistema Multiagente Coordenador: plataforma em desenvolvimento que automatiza tarefas acadêmicas, como organização de conteúdos e apoio à gestão educacional
O avatar já está em operação e permite apresentações em português, inglês e espanhol, ampliando o alcance do conhecimento produzido.
Antes do uso da IA, Maria Inês já utilizava tecnologias assistivas, como sistemas que permitem digitação por movimento dos olhos. Com a integração da inteligência artificial, o alcance dessa autonomia foi ampliado.
A proposta do projeto é justamente atuar nesse ponto: permitir que pacientes não apenas se comuniquem, mas continuem exercendo suas profissões e contribuindo intelectualmente.
Ainda em fase beta, o projeto deverá ser expandido para outros pacientes com doenças neurodegenerativas que afetam a mobilidade, mas preservam a cognição.
A iniciativa surge em um momento de avanço das aplicações da inteligência artificial na saúde, ampliando o debate sobre o uso da tecnologia não apenas para tratamento, mas para qualidade de vida e inclusão produtiva.


