Carnaval e beijo na boca: especialistas alertam para doenças que podem ser transmitidas

Contato comum durante a folia pode facilitar a transmissão de vírus e bactérias; veja quais são as principais doenças, os riscos à saúde e como funciona o tratamento

Com a chegada do Carnaval, aumentam as festas, a proximidade entre as pessoas e, consequentemente, o hábito do beijo na boca, muito comum durante a folia no Brasil.

Embora seja visto como algo espontâneo e prazeroso, o contato íntimo pode favorecer a transmissão de diversas doenças, especialmente aquelas que se propagam pela saliva e pela respiração.

De acordo com especialistas, o beijo pode funcionar como uma via direta para a passagem de vírus, fungos e bactérias. Informações da CNN Brasil indicam que o cuidado com a saúde deve fazer parte da diversão carnavalesca.

“O beijo é um contato muito íntimo e inclui algumas vias de transmissão de vírus, fungos e bactérias, como a saliva e a respiração”, explica Dania Abdel Rahman, infectologista e coordenadora do setor de Infectologia Clínica e Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Albert Sabin.

A seguir, confira as principais doenças que podem ser transmitidas pelo beijo, seus sintomas e como é feito o tratamento.

Mononucleose é a mais associada ao beijo

Conhecida popularmente como “doença do beijo”, a mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr e é uma das infecções mais frequentemente relacionadas ao contato boca a boca. A doença atinge principalmente crianças, adolescentes e jovens adultos.

Na infância, a transmissão costuma ocorrer pelo compartilhamento de objetos, como talheres, brinquedos e canudos, além das vias respiratórias. Já entre adolescentes e adultos, o beijo é a principal forma de contágio.

Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de garganta, dores no corpo e aumento dos linfonodos, conhecidos como ínguas.

“Normalmente, ela não traz nenhuma complicação e é uma doença autolimitada, ou seja, que se resolve sozinha”, esclarece a infectologista.

Carnaval
Foto: Shutterstock

Citomegalovírus pode trazer riscos para imunossuprimidos

O citomegalovírus (CMV) também pode ser transmitido pela saliva e, consequentemente, pelo beijo.

A infecção costuma causar febre persistente e aumento dos linfonodos, sendo, na maioria dos casos, autolimitada.

No entanto, pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes em quimioterapia ou com doenças imunossupressoras, podem desenvolver complicações mais sérias, incluindo inflamações nos olhos e comprometimento do sistema nervoso central.

“É muito raro que o citomegalovírus cause alguma lesão na pele, mas pode causar alguma outra complicação se for adquirido por um paciente imunossuprimido”, ressalta Dania em entrevista à CNN Brasil.

Carnaval - Brasil
Foto: Shutterstock

Herpes labial é altamente prevalente

Outra infecção comum é o herpes labial, provocado pelo vírus herpes simplex tipo 1. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com a saliva, especialmente quando há bolhas ou feridas visíveis nos lábios.

Após a infecção inicial, o vírus permanece no organismo de forma latente e pode se manifestar novamente ao longo da vida.

“O herpes simplex está presente em mais de 90% das pessoas. Elas têm o vírus escondido em algum lugar, mesmo não apresentando os sintomas”, explica Marcelo Ducroquet, médico infectologista e professor de Medicina da Universidade Positivo (UP).

Caxumba é rara, mas ainda pode ocorrer

A caxumba também pode ser transmitida pela saliva, embora seja considerada menos comum atualmente devido à vacinação com a Tríplice Viral, que protege ainda contra sarampo e rubéola.

Segundo especialistas, surtos pontuais já ocorreram em ambientes como escolas e universidades, principalmente quando o esquema vacinal não estava completo.

“Hoje em dia, o esquema é feito com duas doses, então, se a pessoa está com a vacina em dia, é difícil ter a doença”, explica Marcelo.

Doenças respiratórias entram no alerta do Carnaval

Além das infecções transmitidas diretamente pela saliva, o beijo pode facilitar a disseminação de doenças respiratórias, como resfriado, gripe e Covid-19, especialmente em ambientes com grande aglomeração.

“Elas não são transmitidas apenas pelo beijo e estão mais relacionadas à aglomeração comum nessa época, mas o fato de beijar na boca aumenta a chance de transmissão, porque é um contato direto”, alerta o infectologista.

ISTs também podem ser transmitidas, mas são raras

Embora menos frequente, algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis e gonorreia, podem ser transmitidas pelo beijo em situações específicas, principalmente quando há lesões na boca.

“É uma situação de exceção, é muito raro de acontecer”, afirma Marcelo.

Como funciona o tratamento das doenças transmitidas pelo beijo

O tratamento varia conforme o agente causador da infecção. Doenças bacterianas, como sífilis e gonorreia, são tratadas com antibióticos.

Já infecções virais, como mononucleose e citomegalovirose, costumam se resolver sozinhas.

“O tratamento é sintomático, ou seja, são utilizados medicamentos para aliviar os sintomas”, explica Dania.

No caso do herpes labial, podem ser indicadas pomadas antivirais, como o aciclovir.

“No geral, são doenças de baixa gravidade. Não têm cura, não têm um tratamento específico, mas também não trazem, por outro lado, consequências maiores”, finaliza Marcelo.

A recomendação dos especialistas é clara: curtir o Carnaval com consciência ajuda a reduzir riscos e manter a diversão até o último dia de festa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie sua notícia!

Participe do OCorre enviando notícias, fotos ou vídeos de fatos relevantes.
Preencha o formulário abaixo e, após verificação de nossa equipe, seu conteúdo poderá ser publicado.