Um dos maiores mistérios do vôlei brasileiro acaba de ganhar uma versão definitiva e bombástica. Em entrevista ao podcast Basticast nesta quinta-feira (8), a campeã olímpica Mari revelou que seu corte dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, não teve motivação técnica, mas sim pessoal.
Segundo a ex-jogadora, o desligamento foi uma retaliação do técnico José Roberto Guimarães após ela recusar uma proposta para jogar no Fenerbahçe, clube turco que o treinador comandava na época.
Mari explicou que, em 2011, após uma grave lesão no joelho, sentiu que deveria permanecer no Brasil jogando pelo Rexona/Unilever, sob o comando de Bernardinho, como forma de gratidão pelo apoio do clube durante sua recuperação.
Zé Roberto, no entanto, queria a ponteira em seu time na Turquia para monitorar sua preparação olímpica de perto.
“Se você vai ter as suas preferências, na Seleção eu vou ter as minhas também”, teria dito o técnico em uma conversa por telefone, conforme relatado por Mari.
A jogadora detalhou que, ao chegar na Seleção, o tratamento mudou drasticamente. Segundo Mari, Zé Roberto passou a ser frio, mudou sua posição em quadra e evitava diálogos.
O desfecho ocorreu de forma ríspida: “Ele me chamou e falou: ‘Temos um problema, vamos ter que nos separar, porque eu não confio em você’. Foi curto, grosso e rápido”, relembrou.
O corte gerou comoção imediata no grupo, que conquistaria o bicampeonato olímpico em Londres semanas depois, subindo ao pódio com a camisa de Mari em mãos.
Além da frustração esportiva, Mari revelou que a justificativa oficial de “deficiência técnica” usada pelo treinador na época causou prejuízos financeiros graves.
“Os times começaram a usar isso contra o meu contrato. Como um clube ia pagar 100% se o técnico da Seleção dizia que eu tinha problema técnico?”, desabafou.
Apesar das marcas profundas, Mari afirmou que hoje o episódio está perdoado e que já conversou com Zé Roberto sobre o assunto, mas sentiu que, após anos de silêncio, era o momento de expor a verdade para os fãs que ainda questionavam sua ausência no ouro de 2012.


