O árbitro somali Omar Artan foi oficialmente excluído do quadro de arbitragem da Copa do Mundo de 2026 após ter a entrada negada nos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio.
A decisão foi confirmada pela Fifa, que informou não ter poder para intervir em questões migratórias. Nesta quarta-feira (10), Artan retornou à capital da Somália, Mogadíscio, onde foi recebido por autoridades e centenas de apoiadores.
Aos 34 anos, Artan estava prestes a se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma edição da Copa do Mundo. Integrante do quadro da Fifa desde 2018, ele foi incluído entre os 52 profissionais selecionados para trabalhar no Mundial organizado por Estados Unidos, Canadá e México.
Segundo o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, o árbitro foi impedido de ingressar no país no último sábado (6) por “questões de verificação”. As autoridades norte-americanas não detalharam os motivos da decisão.
De acordo com a Embaixada da Somália no Quênia, responsável pelo processo consular, Artan havia recebido autorização para viajar aos Estados Unidos na semana anterior ao episódio.
Exclusão da Copa do Mundo gera repercussão
Após a negativa de entrada, a Fifa retirou o nome do árbitro da lista oficial da competição. Em nota, a entidade afirmou:
“A FIFA confirma que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar e atuar na Copa do Mundo da FIFA 2026 após ter sua entrada negada nos Estados Unidos.
A FIFA não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento.
Assim como em eventos anteriores da FIFA, o governo anfitrião determina, em última análise, quem recebe o visto e quem tem a entrada permitida em seu país”.
O caso provocou repercussão internacional e levantou questionamentos sobre os procedimentos de entrada adotados pelos Estados Unidos para participantes da competição.
Até a última atualização da reportagem original, o governo norte-americano não havia se manifestado publicamente sobre a situação.
Veja uma declaração de Omar após ter sido barrado nos EUA:
Recepção de herói na Somália
Ao desembarcar em Mogadíscio, Artan recebeu uma recepção calorosa organizada por autoridades e torcedores. Durante o encontro, agradeceu o apoio recebido da população, do governo somali e da Fifa.
“Prometo a vocês, se Deus quiser, que estarei presente na próxima edição”, disse ele, enquanto centenas de apoiadores agitavam bandeiras da Somália.
“Quero que o público somali se conforte com isso e mantenha a confiança”.
Ainda não há explicação oficial para a negativa de entrada, apesar de o árbitro possuir visto válido, segundo Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério da Juventude e Esportes da Somália.
Confira a chegada do árbitro na Somália:
Melhor árbitro da África em 2025
Reconhecido como um dos principais nomes da arbitragem africana, Omar Artan foi eleito melhor árbitro masculino da África pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.
Abshir lamentou a exclusão do profissional e destacou sua relevância para o futebol do continente.
“É um dos árbitros mais respeitados da África e (…) negar sua entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de trabalhar (…) prejudica não apenas a ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play”, afirmou.
“A comunidade do futebol deve apoiá-lo neste momento difícil”, acrescentou.
A Somália está entre os países afetados por recentes restrições migratórias impostas pelos Estados Unidos, embora não tenha sido confirmado qualquer vínculo entre essas medidas e o caso de Artan.


