A festa que deveria coroar o tetracampeonato da Libertadores do Flamengo terminou com confusão, correria e relatos de feridos neste domingo (…). A comemoração, que reuniu cerca de 500 mil torcedores no Centro do Rio, foi marcada inicialmente por clima de euforia e celebração, mas acabou se transformando em tumulto após uma falha estrutural e a reação policial na Avenida Presidente Antônio Carlos.
Torcedores relatam que parte das grades montadas para isolar a área de passagem dos ônibus da delegação cedeu com a pressão da multidão. Sem rotas de saída, o público ficou comprimido contra as barreiras, e a queda da estrutura provocou pânico coletivo. A Polícia Militar respondeu com spray de pimenta, bombas de efeito moral e disparos de balas de borracha, gerando correria e desorientação.
Vídeos que circularam rapidamente nas redes sociais mostram torcedores correndo, muitos com dificuldades para respirar devido ao gás. Outros, atordoados, precisaram ser amparados por desconhecidos. Pelo menos dois feridos foram encaminhados a unidades de saúde próximas, segundo informações preliminares.
Multidão, superlotação e falta de rotas de fuga
Durante toda a manhã e início da tarde, a festa seguiu o roteiro tradicional de grandes comemorações rubro-negras: ruas tomadas de vermelho e preto, cantos que ecoavam pelos prédios do Centro e um trio elétrico levando elenco e comissão técnica após o título conquistado no sábado.
Mas o grande volume de pessoas, estimado pela prefeitura em meio milhão, começou a gerar problemas. Além da dificuldade de circulação, houve registros de torcedores subindo em postes, grades e marquises para tentar acompanhar a passagem dos jogadores.
Com a superlotação, aglomerações se formaram nas laterais da via. Quando as grades que separavam o público da área destinada aos ônibus cederam, a multidão se empurrou na tentativa de se afastar da confusão. Sem sinalização clara e sem pontos de escape, muitos ficaram presos, o que aumentou o pânico.
Testemunhas relataram sensação de “sufocamento” e “impossibilidade de respirar” por causa do gás lançado pelos policiais. Alguns torcedores passaram mal e foram socorridos por outros presentes, enquanto tentavam sair da zona afetada.
Reação policial gera críticas e revolta de torcedores
A atuação da Polícia Militar durante a confusão passou a ser questionada por torcedores nas redes sociais. Muitos afirmam que a reação foi desproporcional para um momento que poderia ter sido controlado com orientação e abertura de passagem, especialmente diante de uma multidão tão grande.
O uso de bombas de efeito moral e balas de borracha gerou indignação entre presentes, que acusam a corporação de “agravar o caos” em vez de coordenar o fluxo. Até o momento, a PM não divulgou balanço oficial de feridos ou detenções, mas informou que investigará a queda das grades e a dinâmica da dispersão.
Já especialistas em gestão de grandes eventos apontam que a falta de rotas de escape e a compressão do público são fatores comuns em situações de risco, e que a resposta precisa priorizar evacuação segura, não necessariamente repressão imediata.
Celebração histórica termina com debate sobre segurança no Rio
O tetracampeonato do Flamengo mobilizou a cidade e levou ao Centro uma das maiores celebrações populares do ano. O clima era de festa, orgulho e emoção, sobretudo após mais um título continental conquistado pela equipe.
No entanto, o episódio deste domingo reacende discussões sobre a preparação da cidade para grandes eventos, o planejamento de segurança, o monitoramento de estruturas e a necessidade de protocolos mais claros em celebrações que reúnem centenas de milhares de pessoas.
Partes da torcida lamentaram que um dia histórico tenha terminado com medo, correria e violência. A expectativa agora é de que a prefeitura, a PM e os organizadores apresentem esclarecimentos e revisem protocolos para evitar que situações como essa se repitam.
Enquanto isso, vídeos e depoimentos continuam repercutindo nas redes, alimentando o debate sobre o direito à festa, o papel das forças de segurança e a importância de organização responsável em grandes celebrações públicas no Rio de Janeiro.



