A banda Ultraje a Rigor perdeu mais uma vez na Justiça em processo movido contra o chargista Gilson Machado Barbosa.
O grupo, liderado por Roger Moreira, pedia uma indenização de R$ 30 mil por danos morais devido a charges consideradas ofensivas. O Tribunal, no entanto, rejeitou os argumentos e manteve a liberdade de expressão do artista.
A disputa judicial começou há mais de um ano, quando Gilson publicou três charges críticas ao comportamento da banda.
Segundo ele, a primeira ilustração surgiu após um episódio envolvendo uma rádio no Dia do Rock. O evento foi cancelado, e um locutor comemorou nas redes sociais chamando os músicos de “fascistas falidos”.
Em defesa do radialista, o chargista retratou Roger Moreira como uma criança mimada, reforçando a crítica ao posicionamento do grupo.
Na segunda charge, Roger foi retratado como racista, em referência à polêmica envolvendo um desenho publicado pelo próprio cantor.
Na ocasião, ele havia compartilhado a caricatura de uma pessoa negra dentro de um ônibus, insinuando que o personagem quebraria o carregador de celular do coletivo “sem motivo algum”.
A publicação gerou forte repercussão negativa e motivou novas críticas, que Gilson traduziu em ilustração associada à simbologia da Ku Klux Klan.
Para a Justiça, as charges estão amparadas pelo direito à liberdade de crítica e sátira, especialmente quando voltadas a figuras públicas. A decisão reforçou que a atividade artística pode utilizar ironia e exagero sem configurar necessariamente dano moral.
Gilson comemorou o resultado, afirmando que sua intenção foi apenas “defender o locutor” e “manifestar opinião por meio do humor gráfico”. Já a banda ainda pode recorrer.
Essa não é a primeira vez que Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor, se envolve em polêmicas judiciais. Conhecido por suas posições políticas incisivas nas redes sociais, o músico já foi alvo de críticas de outros artistas e veículos de imprensa.
A insistência do grupo em processar o chargista, contudo, tem resultado em derrotas sucessivas.
Com a nova decisão, a tendência é que o caso se torne mais um exemplo dos limites entre liberdade artística e ofensa pessoal, tema recorrente nos tribunais brasileiros.



